Chuva no Rio de Janeiro já é a pior da história

A chuva que atinge o Rio de Janeiro desde a noite de segunda-feira é a maior já registrada na capital fluminense, informou a prefeitura nesta terça-feira. De acordo com dados divulgado durante a coletiva de imprensa do prefeito Eduardo Paes, em menos de 24 horas, foram 288 milímetros de precipitação.

iG São Paulo |

Segundo a prefeitura, na chuva histórica que destruiu a cidade em 1966, quando morreram mais de 140 pessoas, choveu 245 milímetros em 24 horas. Em 1988, foram 230 milímetros e em 1996, 201 milímetros. "Foi o maior volume de chuvas relacionadas a enchentes já registrado em nossa cidade. Tivemos a chuva forte somada à maré alta e ressaca, o que agravou a situação. Para se ter uma ideia, o nível da Lagoa Rodrigo de Freitas que normalmente é de 50 centímetros foi a 1,40 metro. É claro que ninguém nega que existam deficiências e problemas estruturais, mas não há galeria pluvial limpa que segure este volume de água", afirmou Eduardo Paes.

AE
Bueiro jorra água na Alameda São Boaventura em Niterói, no Grande Rio

Na chuva de janeiro de 1966, deslizamentos de terra nas favelas causaram mais de 140 mortes. Os cariocas enfrentaram racionamento de gás, energia e água, contaminada por esgoto transbordando das galerias de águas pluviais. Até o carnaval ficou ameaçado, e quase não saiu naquele ano.

Segundo Gustavo Escobar, coordenador do grupo de previsão meteorológica do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), a forte chuva se deve a dois fatores: a geografia do Estado e a presença de uma massa úmida e estável de ar.

Essa é a primeira frente fria de maior importância que chega à região neste ano. Se chegasse no inverno, quando o ar está mais seco e frio, não teria provocado tanta precipitação. Mas ainda encontrou muito vapor de água disponível, o que facilita um volume maior de água, afirmou. A região acidentada geograficamente do Rio de Janeiro também contribui para que a chuva se concentre em determinadas regiões. O impacto da queda de água é uma na capital e outra na região serrana, disse.

A frente fria está localizada sobre toda a região Sudeste e sobre parte do Centro-Oeste do Brasil. O tempo deve ficar chuvoso nesta terça no leste do Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em parte de Minas Gerais. A previsão é que a chuva seja menos forte, porém contínua, durante toda a terça. A frente fria deve começar a se deslocar para o Oceano Atlântico e as chuvas devem atingir o Espírito Sul e o litoral Sul da Bahia nos próximos dias. Não estão previstas chuvas da mesma intensidade para os próximos dias no Rio de Janeiro, embora com a continuidade das precipitações a cidade ainda deva seguir com transtornos. Em termos de volume, o pior já passou, afirmou Escobar.

Durante a entrevista, o prefeiro Eduardo paes reiteirou o apelo aos cariocas para que permaneçam em casa e pediu às famílias que residem em encostas e áreas que correm risco de desabamento para que busquem locais seguros. "Todas as vítimas fatais que tivemos até agora foram de deslizamentos. Não coloquem em risco suas vidas nem a de seus familiares. Todas as encostas da cidade estão muito encharcadas e as chances de deslizamento são enormes", afirmou Paes. 

Entre os pontos críticos do Rio, o prefeito listou a Serra da Grota Funda, a avenida Niemeyer e a Estrada Grajaú-Jacarepaguá nos dois sentidos e o Túnel Noel Rosa no sentido Vila Isabel, todos fechados ao tráfego.

Estado

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou vai decretar estado de emergência no Estado em razão do grande número de municípios atingidos pelas fortes chuvas.

O Aeroporto Santos Dumont reabriu para pousos e decolagens por volta das 9h10 desta terça-feira. O aeroporto, que opera agora com auxílio de instrumentos, quando o piloto necessita de equipamentos especiais para alinhar a aeronave com a pista, estava fechado desde a noite de segunda-feira.

Também por causa da forte chuva as aulas nas escolas municipais e estaduais foram suspensas no Rio de Janeiro. O Tribunal de Justiça do Estado também cancelou todas as audiências marcadas para os fóruns da cidade, assim como a Câmara Municipal e o Ministério Público.

As chuvas também provocaram a alteração na circulação da rede ferroviária por medida de segurança e o fechamento de algumas estações. A concessionária que a administra o metrô do Rio interrompeu a venda de bilhetes em todas as estações nesta manhã devido a uma falha num trem que passava pela estação Glória. Com problema no sistema de ar comprimido, às 9h20, o trem foi substituído e os passageiros direcionados para outro veículo.

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