Chuva mata quatro crianças da mesma família no Morro do Turano

As fortes chuvas que atingem a cidade desde o fim da tarde da última segunda-feira destruíram mais do que casas. Em toda a cidade, muitas famílias foram destroçadas e viveram a dor de perder entes queridos.

iG Rio de Janeiro |

Arte iG

No pedaço conhecido como Chácara do Céu, no alto do Morro do Turano, a tragédia levou consigo as vidas de quatro crianças da mesma família. Os irmãos Joel, Jean e Joice Alves do Nascimento Monteiro, de 5, 10 e 13 anos, faleceram enquanto dormiam ao lado da tia, Rebeca Alves do Nascimento, de apenas 12.

"Eles gostavam de dormir na casa dos avós. Os pais estão em choque, destruídos e sem saber o que fazer", lamentou o tio das crianças, o porteiro André Luiz Costa do Nascimento, 44 anos, que aguardava no IML o corpo dos sobrinhos.

Na mesma comunidade, outra pequena vida também foi perdida em meio a lama e desespero. O menino Lucas Alexandre Nascimento, de apenas três anos, foi carregado por mais de cem metros junto a pedras e galhos de árvore por volta das 2h da madrugada de terça-feira. Dez horas depois, foi resgatado com vida graças aos esforços de quase 300 moradores, que, com baldes em mãos, tentavam encontrar algum sinal de vida onde só se viam escombros. Apesar do resgate emocionante, Lucas faleceu a caminho do hospital. A mãe, o pai, e o irmão de sete meses do menino conseguiram se salvar.

André Durão

Veículos transportam corpos de vítimas das chuvas até o IML da Leopoldina

"Estava todo mundo dormindo. Quando os pais acordaram, conseguiram salvar o bebê, mas Lucas foi levado com o resto da casa. É uma dor que sentimos na alma", disse Cristina Fonseca, 36, tia da criança.

No Morro dos Macacos, em Vila Isabel, um casal e os três filhos morreram vítimas das chuvas. Na madrugada da última terca-feira, o deslizamento de uma pedra levou árvores e atingiu a residência onde dormiam Maurício e Wanda de Oliveira, de 43 e 40 anos, e os filhos Letícia, Dalia e Vanielle, de 3, 5, e 9 anos.

André Durão

Familiares aguardam a chegada de corpos de
crianças mortas no Morro dos Macacos

"Resgatei meus sobrinhos já mortos com as mãos sujas de lama. É uma sensação que não desejo a ninguém. Espero que os meus filhos não sejam os próximos", disse Reinaldo Carvalho da Rocha, 45, tio das crianças e também morador da comunidade.

No fim da noite de terca-feira, parentes das vitimas de Niterói e São Gonçalo começaram a chegar ao IML da Leopoldina, que aumentou seu efetivo para agilizar as perícias.

Segundo a direção do IML, 40 corpos que seriam inicialmente encaminhados a unidade de Tribobo, que atende aos dois municípios da Região Metropolitana, serão periciados no Rio de Janeiro.


"Até essa tarde, ninguém da Prefeitura de Niterói apareceu para ajudar. Foi meu irmão que tirou o corpo do meu filho do meio da lama", reclamou uma moradora de Tenente Jardim, no Barreto, em Niterói, que preferiu não se identificar. Ela perdeu o filho de 22 anos, que salvou a mulher e a filha ainda bebe antes de ser levado com a casa e outras três construções.

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