Chuva forte causa prejuízos e morte em Mato Grosso do Sul

Indígena José Arce, 45 anos, morreu carbonizado após um raio atingir a sua casa

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Uma chuva forte com granizo e acompanhada por ventos de até 70 quilômetros por hora, provocou uma série de problemas neste domingo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Na área central da cidade 30 árvores foram derrubadas, casas e o prédio do Mercado Municipal foram destelhados, bairros inundados e seis torres de alta tensão caíram. 

Em 8 cidades do interior do Estado a situação não foi diferente, com o agravante de uma morte. Pela manhã um raio caiu sobre a casa do indígena José Arce, 45 anos, e ele morreu carbonizado. A descarga elétrica provocou fogo na cobertura de sapé da moradia feita de tábuas que foi totalmente destruída. O incidente aconteceu na Aldeia Limão Verde, a 60 quilômetros de Ponta Porã, região sul do Estado. 

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Árvore derrubada após ventania e chuva com granizo em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, neste domingo
Ponta Porã, que é o quarto município com maior incidência de raios no Estado, de acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Hoje, dos 7.231 raios que caíram no Estado até às 18h30, 354 atingiram Ponta Porã, um deles causou a morte de um índio de 45 anos na Aldeia Lima Campo, a 60 km da cidade. Ontem, em todo o Mato Grosso do Sul, foram registrados 482 raios e, anteontem, 4.026.

Pelo site no Elat, atualizado constantemente com dados do satélite americano LIS, o Estado todo estava pontilhado por indicações de descargas elétricas, com menor ocorrência nos Estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais. O número total de ocorrências será divulgado apenas amanhã. A última morte causada por um raio em Ponta Porã foi em 2007, quando uma mulher de 30 anos foi atingida. Outras duas mortes ocorreram em 2005: um homem de 27 anos e outro de 54 anos. Campo Grande lidera o ranking com oito mortes nos últimos dez anos.

De acordo com o Elat, em dez anos, a probabilidade de morrer atingido por um raio no MS é de 4,3 por milhão por ano. A incidência de raios no Estado na década é de 4,24 milhões por ano. No Brasil, é de 56,9 milhões por ano. Em média, 89 pessoas morreram atingidas por raio no Estado, enquanto no Brasil a média foi de 130 mortos. A incidência de raios por metro quadrado coloca o Estado em terceiro lugar no País: são 11,88 raios por quilômetro quadrado por ano, abaixo de Santa Catarina (12,33) e Rio Grande do Sul (18,88).

Helen Andrade, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), informou que até quarta-feira o Estado estará sujeito a chuvas fortes, principalmente no Sul do Mato Grosso do Sul. "Entre a Primavera e o Verão pancadas de chuva como essa são comuns", disse.

Falta de energia

Após a estiagem de 60 dias no Mato Grosso do Sul, a chuva forte em Campo Grande e Ponta Porã deixou 8,4 mil clientes atendidos pela Enersul sem energia. Os ventos fortes derrubaram seis torres de transmissão de energia elétrica no Estado.

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