Por Fernanda Ezabella SÃO PAULO (Reuters) - Rock and roll sentado não combina. Mas Chuck Berry conseguiu tirar da platéia e fazer dançar ao seu lado mais de uma dúzia de mulheres entusiasmadas, no show da noite de quarta-feira em São Paulo.

Considerado o pai do rock, o guitarrista e compositor norte-americano de 81 anos tocou por exatos 60 minutos, como é de praxe em suas apresentações. Subiu ao palco às 21h30, quando muitas pessoas nem tinham ainda chegado à casa de espetáculos.

O figurino também era bastante conhecido dos fãs --camisa de manga comprida com paetês vermelhos e quepe de marinheiro.

Chuck Berry parecia de fato bem animado, sorrindo o tempo todo e pedindo para o público escolher as músicas. 'Espero que metade de vocês nunca tenha ouvido esta ainda', disse, fazendo graça, antes de começar 'Maybellene', sua primeira gravação, em 1955.

Quando um fã chegou mais perto para pedir uma música, Chuck Berry ouviu e voltou ao microfone: 'Mas essa não é minha!', disse, brincando.

Ele tocou 'Memphis', 'Rock and Roll Music', 'My Ding A Ling', 'You Never Can Tell' e 'Sweet Little Sixteen', acrescentando 'São Paulo' à letra, que cita algumas regiões dos Estados Unidos.

Várias pessoas da platéia tentaram se levantar para dançar em diversos momentos, mas sem muito entusiasmo e com muitas reclamações de quem continuava nas cadeiras.

Só não teve jeito quando deu os primeiros acordes de 'Johnny B. Goode', considerada a melhor canção para guitarra de todos os tempos pela revista Rolling Stone.

Antes de começar, no entanto, Chuck Berry afinou a guitarra, fez que ia e parou no meio do solo.

Seu filho, o guitarrista Charles Berry Jr., passou então sua própria guitarra ao pai, que seguiu em frente, fazendo até mesmo uma bem tímida 'duck walk', sua famosa 'dança' empunhando o instrumento meio que se agachando.

Foi neste momento que subiu o primeiro 'intruso'. O garoto praticamente pulou em cima de Chuck Berry, lhe deu um abraço por trás e foi escurraçado do palco pelos seguranças.

Chuck Berry riu do inesperado, mas dali em diante só chamou ladies e donzelas para acompanhá-lo. Primeiro vieram umas 10 do camarim, dançando animadas ao redor de Chuck Berry. Depois, outras mais da platéia, que já chegaram beijando e abraçando o ídolo, como um verdadeiro harém.

Mas já era praticamente fim do show, e Chuck Berry não podia ficar mais. Com a bagunça já generalizada dentro e fora do palco, a lenda do rock se retirou. Segundo os boatos, costelinhas de porco o esperavam no camarim.

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