RIO DE JANEIRO - Acusado de ser o responsável pela entrega de três jovens do Morro da Providência que foram assassinados por traficantes do Morro da Mineira, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade chorou muito ao ser interrogado pelo juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Criminal Federal, nesta quinta-feira. Em seu depoimento, ele disse que sofreu pressão de seus subordinados ¿ os outros 10 militares envolvidos no caso ¿ e resolveu dar um susto nos jovens. Quarto a depor na noite desta quinta, o soldado Bruno Eduardo de Fátima contradisse o tenente Ghidetti. O oficial contou que teria levado sozinho os jovens até onde estava os traficantes.


AE
aear
Tenente Vinicius chora durante depoimento
O tenente contou não ter imaginado que os traficantes da Mineira ¿ morro controlado pela facção Amigo dos Amigos, rival a Comando Vermelho, da Providência ¿ fossem matar os três jovens. Fátima dá outra versão: três soldados teriam acompanhado o tenente.

Já o soldado José Ricardo Rodrigues de Araújo contou que descansava e foi acordado pelo tenente, que perguntava se ele conhecia a região do Morro da Mineira. Diante da confirmação, Rodrigues disse que foi chamado a servir de guia. Ele, no entanto, negou que soubesse que os rapazes seriam entregues a traficantes - tanto que estava sem capacete e sem arma.

Indenização

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou que um projeto de Lei do Executivo será enviado ao Congresso Nacional para estipular que tipo de indenização os familiares dos três rapazes do morro da Providência, centro do Rio, assassinados por traficantes de um morro rival após serem entregues por membros do Exército, devem receber.

De acordo com Jobim, a idéia é oferecer um salário mínimo (R$ 415) por mês para cada uma das famílias. O ministro não deu detalhes sobre o tempo em que o benefício será concedido.

Na ocasião Jobim defendeu o uso do Exército em ações sociais, negou um possível caráter eleitoral nas obras do programa e lamentou a determinação da Justiça eleitoral em suspender as obras na Providência. Para ele, quem mais saiu perdendo foi a população local.

Entenda o caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

(Com agências Brasil e Estado)

Leia também:


Leia mais sobre:
violência no Rio

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.