Chocolate: vilão ou mocinho?

Chocolate: vilão ou mocinho? Por Giuliana Reginatto São Paulo, 26 (AE) - Ovos de Páscoa são como enfeites de Natal: é quase impossível transitar pelo mercado sem notar que já chegaram. O próximo destino deles é o estômago do consumidor.

Agência Estado |

No mês do chocolate livre, vale ressaltar que a versão tradicional contém cerca de 30% de gordura e 47% de açúcar, combinação que pode interferir no curso de algumas doenças, como diabete.

Em contrapartida, o doce também traz benefícios, sobretudo no caso do tipo amargo, escuro, que tem mais cacau. Se essa é a informação que você sempre quis ler sobre a guloseima, saiba também que 100 gramas dela equivalem a cerca de 500 calorias.

Apesar disso, há quem não passe um só dia sem chocolate: são os chocólatras . Será verdade que vicia? Confira abaixo a resposta dos especialistas para os mitos que rondam o queridinho da temporada.

1. Chocolate é benéfico para o sistema cardiovascular?
A nutricionista Cyntia Carla da Silva, coordenadora do setor de nutrição do Hospital do Coração, diz que o chocolate com pelo menos 70% de cacau é aliado da saúde cardiovascular. "Os antioxidantes estão na massa de cacau, formada pelas sementes. Quanto maior a concentração de cacau, mais benefícios o chocolate trará. Os flavonóides do cacau ativam a produção de óxido nítrico no corpo, levando ao relaxamento dos vasos sanguíneos e à queda da pressão arterial. Eles também reduzem a oxidação do LDL, evitando que esse colesterol ruim se deposite na parede dos vasos", diz.

2. Chocolate diferentes têm mesmo valor nutricional?
A nutricionista Cyntia lembra que o termo chocolate é usado para doces diferentes - mesmo que os valores calóricos sejam iguais, a composição nutricional é variável. "O chocolate branco nem usa a massa de cacau. Leva manteiga de cacau, açúcar e leite. Ou seja: não tem os antioxidantes da massa de cacau", diz. Para usufruir de antioxidantes, em maior concentração no tipo amargo, é preciso ingerir muito chocolate. "O efeito positivo se nota a partir de cerca de 50 miligramas de antioxidantes, o equivalente a 100 g de chocolate", diz ela. "A maciez do chocolate fino vem da grande quantidade de manteiga de cacau. O doce mais comercial,de prateleira, fica mais resistente ao calor devido à gordura hidrogenada, que muitas vezes é uma gordura trans."

3. Chocolate vicia?
O nutrólogo Osman Gióia, diretor da Associação Brasileira de Nutrologia, diz que certas pessoas são mais sensíveis aos compostos presentes no chocolate. "Estas substâncias químicas possuem ação que leva à dependência, mas não são todos os indivíduos que sofrem esta ação", garante. Ele destaca um composto com efeito semelhante ao da maconha. A substância, segundo o profissional, é alvo de estudo na Argentina. Trata-se da anandamina. "É um canabióide que tem a mesma ação cerebral que a ‘marijuana’. A quantidade é tão pequena que não dá margem para o chocolate ser confiscado pela polícia, mas tem uma ação positiva para mitigar os amores desenganados", analisa.

4. Tem efeito afrodisíaco?
De acordo com Gióia, chocolate contém substâncias estimulantes, como feniletilamina e cafeína. Também apresenta teobromina, relacionada à serotonina, que melhora o humor. Segundo o médico Edson Credidio, doutorando em Ciências de Alimentos pela Unicamp, na amêndoa do cacau existe ainda a feniletilamina, substância produzida em grandes quantidades pelo cérebro dos apaixonados. "Consequentemente, com a ingestão do chocolate as taxas dessa substâncias são elevadas, promovendo sensações extremamente agradáveis ao usuário do alimento", informa.

5. Provoca alergias?
Para o médico Credidio, autor do livro Alimentos Funcionais na Nutrologia Médica, "o chocolate é um dos alimentos tradicionalmente relacionados a crises de enxaqueca, apesar de os estudos científicos não evidenciarem claramente a relação". Uma das hipóteses é a de que a enxaqueca seria uma reação alérgica em pessoas intolerantes ao chocolate. A intolerância também pode se manifestar por meio de alergias de pele. Os quadros de acne, contudo, não estariam relacionados só ao chocolate, mas sim à ingestão de vários alimentos gordurosos e ricos em carboidratos.

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