Chinês que arrematou bronzes de YSL revela que não vai pagar pelas peças

Um colecionador de arte chinês anunciou nesta segunda-feira que comprou os dois bronzes vendidos semana passada, em Paris, durante o leilão da coleção de arte de Yves Saint-Laurent-Pierre Bergé, mas fez questão de afirmar que se recusa a pagar pelas peças, cuja restituição é exigida pela China por se tratarem de relíquias nacionais.

AFP |

O Fundo do Patrimônio Nacional da China, organismo responsável por recuperar relíquias chinesas no exterior, divulgou um comunicado assinado por Cai Mingchao, um dos conselheiros da entidade e diretor de uma casa de leilões em Xiamen (sudeste), no qual informa que é o comprador das duas estatuetas.

"Acredito que qualquer chinês teria se levantado neste momento. Tento fazer todo o possível para enfrentar minhas responsabilidades", afirma Cai.

"Porém, devo destacar que o dinheiro não pode ser pago", acrescentou.

"Desde que aconteceu a venda surgiram muitas especulações para saber quem era o comprador. Anuncio que o comprador é um chinês que deve ser admirado", declarou Niu Xianfeng, diretor adjunto do fundo.

"Queremos ressaltar novamente, como fez Cai Mingchao, que este dinheiro não pode ser pago".

No entanto, o comunicado não revela se Cai não pagará por não ter o dinheiro ou por uma questão de princípio.

A casa Christie's, encarregada do leilão da coleção de arte do estilista Yves Saint Laurent, se negou nesta segunda-feira a fazer comentários sobre o anúncio de que um cidadão chinês que comprou as duas relíquias de bronze reclamadas por Pequim e não tem dinheiro para pagar por elas.

"Nossa política é não comentar a identidade nem dos compradores", declarou uma porta-voz da casa de leilões.

Os dois bronzes chineses reclamados por Pequim foram vendidos por um total de 28 milhões de euros na quarta-feira passada durante os leilões da coleção Yves Saint Laurent-Pierre Bergé em Paris.

Tratam-se das cabeças de rato e coelho em bronze da coleção de arte de Yves Saint Laurent, símbolo de humilhação na China porque recordam um dos piores episódios da invasão do país por tropas da França e Grã-Bretanha, potências coloniais em 1860.

As peças em bronze procedem da fonte zodiacal do Palácio de Verão do imperador Quianlong (1735-1795), noroeste de Pequim, saqueado em 1860 por soldados franceses e britânicos.

O governo da China tentou impedir a venda das duas peças, mas a justiça francesa rejeitou o pedido apresentado por advogados chineses.

Em 2006, Cai comprou por 15 milhões de dólares uma estátua de Buda da dinastia Ming, durante um leilão celebrado em Hong Kong.

A China condenou a venda "ilegal" dos bronzes e advertiu que a Christie's assumiria as consequências desse ato.

"A Administração de Estado dos vestígios e monumentos se opõe firmemente e condena qualquer venda de objetos culturais exportados ilegalmente. A Christie's terá que assumir todas as consequências desta venda", informou a Administração em comunicado publicado em seu site, alertando também para "graves consequências para o desenvolvimento da Christie's na China".

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