China não comenta fraude em leilão de colecionador do Governo

PEQUIM ¿ O Governo chinês recusou-se hoje a comentar o comportamento do colecionador Cai Mingchao, que, após ter arrematado duas peças de bronze chinesas da coleção de Yves Saint Laurent, em um leilão na França, disse que não os pagaria e exigiu sua devolução à China.

EFE |

"Não farei comentários sobre esse comportamento extra-oficial", assinalou hoje o porta-voz de turno da Chancelaria chinesa, Qin Gang, em entrevista coletiva.

O colecionador chinês Cai Mingchao, vinculado ao Fundo Nacional de Tesouros da China, revelou ontem em entrevista coletiva que foi ele quem ofereceu, no leilão de Paris da semana passada, US$ 35 milhões pelas duas peças, mas que não pagaria por elas.

Mingchao, que deu os lances por telefone, não especificou se não podia ou não queria pagar pelos bronzes, roubados do antigo Palácio de Verão chinês pelas tropas britânicas e francesas em 1860, mas afirmou que qualquer chinês em seu lugar teria feito o mesmo, em uma fraude que a maioria dos chineses considerou um ato patriótico.

O porta-voz Qin desvinculou também a Administração Estatal de Patrimônio Cultural da China do comportamento de Cai, alegando que não sabiam nada da fraude até a entrevista coletiva de ontem.

O órgão do governo chinês tentou, sem sucesso, impedir o leilão, realizado pela Christie's e exigiu a devolução das duas cabeças de bronze da dinastia Qing, obras do jesuíta italiano Giuseppe Castiglione, que morou na corte do imperador Qianlong no século 18.

As cabeças, que representam um coelho e um rato, faziam parte da série de 12 animais do horóscopo chinês que decoravam uma fonte do palácio, depredadas pelas tropas ocidentais, das quais cinco estão em mãos de colecionadores chineses.

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