A China deu uma demonstração de poder nesta sexta-feira durante a cerimônia de abertura dos 26º Jogos Olímpicos, com um espetáculo grandioso de proezas técnicas e performances humanas exaltando a cultura milenar do país.

Diante de cerca de quatro bilhões de telespectadores, o país mais povoado do mundo (1,3 bilhão de habitantes), que sedia os Jogos pela primeira vez, produziu um espetáculo extraordinário em seu estádio nacional, o "Ninho do Pássaro", abarrotado com 91.000 espectadores, entre os quais 80 chefes de Estado e de governo (recorde olímpico), como o presidente George W. Bush, o primeiro-ministro russo Vladimir Putin, o presidente francês Nicolas Sarkozy, também representando a União Européia, e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Baseada em estonteantes jogos de luzes e em uma espantosa sincronização humana, a cenografia supervisionada pelo cineasta Zhang Yimou mobilizou no total 14.000 pessoas.

Dois mil e oito 'fou' (antigos instrumentos de percussão) foram utilizados para lançar a contagem regressiva até a abertura oficial da cerimônia por uma primeira salva de fogos de artifício, às 20H00 locais (08H00 de Brasília) deste dia 8/08/2008. O 8 é considerado um número de sorte na China.

A festa começou com a mensagem de boas-vindas ao mundo de autoria do mestre Confúcio ("Não é um motivo de felicidade ter amigos que vêm de longe?", mas voltou rapidamente ao tema da pátria-mãe com o poema "Pela glória de nosso país" e o hasteamento da bandeira vermelha de cinco estrelas por militares cercados por crianças representando as 56 etnias do país.

O papel, uma invenção da China, também foi representado na cerimônia, através de um rolo gigante de papel-pergaminho, no qual se apresentaram os dançarinos-pintores. A arte chinesa da caligrafia apareceu em seguida, em uma coregrafia de tipos móveis de impressão animados por humanos, em uma performance realmente impressionante.

A música, através da ópera, evocou as cinco dinastias chinesas (Tang, Song, Yuan, Ming e Qing), com músicos instalados em tronos em ascensão.

O espetáculo ficou em seguida mais moderno, com uma explosão de cores fluorescentes em volta do famoso pianista Lang Lang e uma massa humana formando uma pirâmide representando o próprio Ninho do Pássaro.

Uma apresentação de ginástica tradicional 'tai chi chuan' representava a harmonia entre o homem e a natureza até que um globo saiu do chão, representando o lema desses Jogos - "Um mundo, um sonho" - e cercado por centenas de mulheres exibindo retratos de crianças de todas as origens.

O espetáculo prosseguiu com a apresentação das 204 delegações de atletas. A da Grécia foi a primeira a desfilar e a ordem conhecida dos países se viu alterada por causa da forma que seus nomes são escritos em chinês.

As delegações de Taiwan, que levava a bandeira olímpica como emblema, Hong Kong, Paquistão, Iraque e Irã foram muito aplaudidas pelo público, que também ovacionou Putin e Bush quando ambos apareceram nos telões do estádio.

O pequeno Lin Hao, o menino de 9 anos resgatado do terremoto de Sichuan, desfiloou ao lado do porta-bandeira da imensa delegação chinesa, o gigante Yao Ming. Considerado um herói no país, os organizadores do evento resolveram prestar essa homenagem às vítimas da tragédia.

Em seguida, o presidente chinês Hu Jintao declarou oficialmente inaugurados os Jogos, depois de ser convidado a fazê-lo pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge.

Rogge, por sua vez, felicitou e agradeceu aos organizadores e voluntários dos Jogos, um evento que classificou de "porta aberta para o futuro".

"A China sonhou durante muito tempo em abrir as portas para o mundo e acolher os atletas de todos os continentes nos Jogos Olímpicos. Nesta noite, o sonho se tornou realidade. Bravo, Pequim", afirmou, também recordando as vítimas do terremoto que enlutou a província de Sichuan em maio passado.

O fim da cerimônia foi protocolar, com o hasteamento da bandeira olímpica, os juramentos dos atletas (a mesa-tenista chinesa Zhang Yining) e dos juízes (o juiz de ginástica chinês Huang Liping), e o espetacular acendimento da pira olímpica.

O último atleta a conduzir o fogo olímpico, o ex-ginasta chinês Li Ning, acendeu a tocha que iluminará o estádio "Ninho de Pássaro" durante as duas semanas de competições.

Li Ning recebeu a tocha e imediatamente foi suspenso por cabos e, como flutuasse, iniciou uma corrida em volta do estádio olímpico, enquanto que, à sua passagem, um pergamino gigantesco, projetado sobre as arquibancadas do 'Ninho de Pássaro', se abria até chegar à pira.

Uma salva de 29.000 fogos de artifício encerrou uma noite fastuosa, longe das polêmicas sobre o Tibete ou a liberdade de expressão, embora três ativistas americanos pró-tibetanos tenham realizado um breve ato de protesto perto do estádio olímpico de Pequim, pouco antes do início da cerimônia.

Os três exibiram a bandeira tibetana, mas 30 segundos depois, as forças de segurança chinesas o abordaram e imediatamente o detiveram, segundo um comunicado do grupo Estudantes para um Tibete Livre.

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