Chile conta 147 mortos após terremoto de magnitude 8,8

Por Antonio de la Jara e Rodrigo Martínez SANTIAGO (Reuters) - Um dos terremotos mais poderosos da história sacudiu o Chile nesta madrugada, causando ao menos 147 mortes, um tsunami e desmoronamento de residências e hospitais em várias cidades do país, o que levou o governo a declarar parte do país zona de catástrofe.

Reuters |

"Até agora, confirmamos 147 pessoas mortas ao longo da região afetada", afirmou Carmen Fernández, diretora do Gabinete Nacional de Emergência (Onemi).

O terremoto, que teve magnitude 8,8 segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos e epicentro no sul do país, estremeceu a capital Santiago, onde derrubou varandas de edifícios, pontes, deixou fábricas em chamas e moradores sem eletricidade e sistema telefônico.

Mais cedo, o presidente eleito do país, Sebastián Piñera, havia afirmado que o número de mortos era de 122 e que poderia subir. "Temos também muitos feridos", disse Piñera a jornalistas em Santiago, onde a fumaça se espalhava e cobria o céu da cidade.

O governo chileno não espera que o número de vítimas fatais dobre, segundo o Onemi. "Não acreditamos que possa dobrar, embora seguimos avaliando", declarou a diretora.

Ela estimou que em 72 horas as autoridades poderão ter uma dimensão completa do impacto real do terremoto.

Imagens da TV local mostraram que um prédio de 15 andares ruiu em Concepción, no sul do Chile, uma das regiões mais afetadas, onde fendas se abriram nas ruas.

Um tsunami arrasou metade de um povoado na ilha chilena de Juan Fernández, localizada a 600 quilômetros da costa e quase na altura de Santiago. O tsunami ameaçava atingir a Ilha de Páscoa, segundo a presidente Michelle Bachelet.

"Há uma enorme quantidade de danos que não sabemos a exata dimensão, que está sendo avaliado", disse Bachelet a jornalistas.

Ela declarou as regiões de Maule, onde se concentrou a maioria das vítimas, e Bío-Bío como zonas de desastre.

"Eu nunca na minha vida passei por uma experiência de tremor como essa, é como o fim do muno", disse um homem à TV local da cidade de Temuco.

O movimento sísmico, muito mais poderoso que o terremoto que devastou o Haiti em janeiro, também causou pânico no popular balneário de Viña del Mar.

Já com a luz do dia, policiais e bombeiros percorriam as ruas em distintas cidades do país para verificar a magnitude dos danos e socorrer vítimas.

"Eu vi os carros caindo e não sabia o que fazer. Estava sozinho aqui", disse Mario Riveros, segurança de uma fábrica em Santiago, parado junto a uma ponte que desabou. "Me deu vontade de chorar", acrescentou.

Depois de sofrer vários abalos subsequentes, a maior delas de magnitude 6,9, o aeroporto da capital foi fechado por ter a torre de controle danificada, segundo o governo. Um policial no local disse a uma rádio que metade do terminal estava destruído.

Pelo menos três hospitais na capital desabaram e na cidade de Concepción, cerca de 400 quilômetros ao sul de Santiago, o edifício do governo local desmoronou e pacientes estavam sendo transferidos dos hospitais, segundo rádios chilenas.

Apesar do sismo ter tido epicentro no sul chileno, perto da localidade de Maule, 321 quilômetros a sudoeste de Santiago e a 104 quilômetros de Talca, também foi sentido na vizinha Argentina e inclusive no Brasil.

Em Santiago e outras cidades do país, milhares de pessoas saíram de suas casas e estavam acampando nas ruas com medo de novos tremores.

"Me salvei porque me joguei para baixo da mesa, tudo veio para cima, todas as portas do edifício estavam quebradas", disse Elba Carrizo, de 81 anos, que conseguiu sair de seu apartamento antes que o prédio desabasse, no bairro de classe média de Maipu.

TSUNAMI ESPERADO NA ILHA DE PÁSCOA

Apesar de ainda não se saber com exatidão o impacto do tsunami sobre o território insular do Chile, o governo enviou uma fragata à ilha de Juan Fernández.

A onda gigante também atingiu o litoral em Iloca, onde não havia relatos imediatos de vítimas. Mas também colocava em perigo outras regiões. "Também poderia ser uma ameaça para costas mais distantes", disse o Centro de Advertência de Tsunamis do Pacífico em sua página na Internet.

O governo chileno ordenou o esvaziamento de algumas regiões da Ilha de Páscoa, onde se esperava o tsunami de maneira iminente.

As autoridades norte-americanas advertiram que as ilhas do Havaí corriam perigo e que era preciso tomar medidas urgentes. A Austrália também emitiu um alerta de tsunami.

MINERADORAS

O terremoto sacudiu uma região onde estão instaladas grandes minas produtoras de cobre pertencentes à gigante estatal chilena Codelco e a mineradora global Anglo American, entre outras.

A maior mina de cobre do mundo, Escondida, propriedade da BHP Billiton, funcionava normalmente, disse o líder sindical Zeiso Mercado.

Mas as estradas em direção à mina de cobre Los Bronces, propriedade da Anglo American, estavam bloqueadas, segundo funcionários de segurança da instalação. As operações ficaram paralisadas em Los Bronces e El Soldado.

A mineradora de cobre chilena Codelco suspendeu neste sábado a produção em suas minas El Teniente e Andina, disse um porta-voz da companhia, já que ambas as plantas sofrem um corte de energia depois do forte terremoto que sacudiu o Chile nesta madrugada.

O porta-voz detalhou que as minas não sofreram danos graves e que a companhia espera que a produção seja retomada nas "próximas horas".

O ministro de Mineração do Chile, Santiago Gonzalez, afirmou à Reuters no sábado que o país poderá honrar seus compromissos de exportação, apesar da interrupção nos trabalhos das minas da Codelco.

O Chile está localizado sobre a intersecção de duas placas tectônicas que constituem uma das maiores zonas sísmicas do mundo. O país sofreu o maior terremoto já registrado na década de 1960, com uma magnitude de 9,6.

"Venho do terremoto de 1960 em Valdivia, foi tão horrível (...) eu pensei, é como o de Valdivia, e aqui estamos", disse Hilda Hasbun, de 62 anos.

(Reportagem adicional de Fabian Cambero, Ricardo Figueroa, Alejandro Lifschitz, Ignacio Badal, Marion Giraldo, Alonso Soto e Alvaro Tapia, em Santiago; Jorge Otaola, em Buenos Aires; Patricia Avila e Conrado Hornos, em Montevidéu; Todd Benson e Alice Assunção, em São Paulo; e Terry Wade, em Lima)

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