Cinco favelas do Rio de Janeiro acossadas pelo crime organizado amanheceram hoje sem traficantes e sem milícias nas ruas, mas sem políticos de fora das comunidades. No primeiro dia da Operação Guanabara, realizada pelo Exército e pela Marinha para garantir a campanha eleitoral em comunidades sob supostas ameaças de coação eleitoral, os militares foram os únicos protagonistas.

Desfilaram fuzis e metralhadoras por Rio das Pedras, Gardênia Azul e Cidade de Deus, na zona oeste, e Conjunto Esperança e Vila do João, no Complexo da Maré (zona norte), mas só candidatos locais fizeram campanha.

Apesar de a ação não ter incentivado a atividade política nessas áreas, o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, afirmou que a operação não é inócua. Ele admitiu que o ideal seria ter efetivo suficiente para manter tropas em todas as 27 comunidades listadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) até o dia das eleições, mas afirmou que a permanência dos militares por apenas três dias em cada uma delas atenderá ao objetivo da Justiça Eleitoral.

O coronel André Novaes, porta-voz do CML, confirmou que o planejamento das tropas para alcançar 27 comunidades da região metropolitana até o dia da eleição pode contemplar a volta a alguma delas. Nas ruas e fachadas das casas havia muita propaganda de candidatos de diferentes correntes, o que deu muito trabalho aos fiscais do TRE, que aproveitaram a incursão militar para retirar material irregular. Eles também distribuíram cartilhas sobre a segurança do voto secreto.

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