Chega a SP técnica que trata hérnia de disco com corte de 0,7 cm

O Hospital Abreu Sodré, da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), começa a utilizar no próximo mês uma técnica cirúrgica minimamente invasiva para o tratamento de hérnia de disco. O procedimento, chamado de cirurgia endoscópica percutânea, é inédito no País e foi apresentado sexta-feira durante o 6º Simpósio Internacional de Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna, em São Paulo.

Agência Estado |

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a hérnia de disco atinge 5,4 milhões de brasileiros. O problema é consequência do desgaste da estrutura entre as vértebras que, na prática, funcionam como “amortecedores” naturais do impacto entre elas. Dessa forma, a estrutura se desloca e comprime os nervos da região.

A técnica apresentada pelo Abreu Sodré utiliza a videolaparoscopia para atingir a região afetada. O procedimento é feito com anestesia local e, em alguns casos, o paciente recebe alta no mesmo dia. Através de uma incisão de cerca de 0,7 centímetro na região lombar, é inserida uma cânula até a região que apresenta o desgaste. Durante o procedimento, uma solução de soro e antibióticos é utilizada diretamente na vértebra atingida - esse é um dos motivos que tornam a cirurgia mais segura. A taxa de ocorrência de infecção pós-operatória não chega a 1%.

O neurocirurgião Gun Choi, do Wooridul Spine Hospital, na Coreia do Sul, é considerado o maior especialista na técnica e esteve em São Paulo apresentando a cirurgia endoscópica percutânea. Num futuro próximo, Choi prevê que o procedimento poderá ser utilizado em outras situações, como “a reconstrução da estrutura entre as vértebras com a utilização de células-tronco”, explica. Segundo ele, o tratamento de dores crônicas da coluna causadas por um estágio anterior da inflamação e formação da hérnia já é uma realidade.

Brasil

Um dos responsáveis por trazer a técnica ao Brasil é o ortopedista Rodrigo Junqueira Nicolau. O médico passou um ano no Wooridul Spine Hospital como aluno de Choi e acredita que em breve o procedimento deve estar difundido pelo País. “O custo inicial para a compra do equipamento pode ser alto, mas a longo prazo apresenta resultados que valem a pena para o hospital”, afirma. Para o gerente médico do Abreu Sodré, Wilson Dractu, a relação custo/benefício não é a única vantagem. “O paciente permanece até dois dias a menos internado, o que diminui a chance de complicações”, diz.

AE

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