Chefes de estado vão à reunião da Unasul em Brasília

Os 12 chefes de Estado da América do Sul tentam amanhã, em Brasília, pôr em marcha um mecanismo alternativo à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Grupo do Rio para a solução de seus conflitos internos. Sustentada na assinatura do tratado constitutivo, na aprovação de um Plano de Ação e na criação do Conselho Sul-americano de Defesa, a reunião da Unasul de Brasília será assombrada pelo conflito entre a Colômbia, de um lado, e o Equador e a Venezuela, que recentemente desembocou nas provas reunidas pela Interpol da colaboração dos governos venezuelano e equatoriano às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Agência Estado |

O evento de amanhã será uma reunião extraordinária. A expectativa mais otimista é que o encontro ordinário da Unasul - que deveria ter ocorrido em janeiro passado, em Cartagena das Índias - seja agendado para o segundo semestre na Colômbia. Em Brasília, sob uma regência conciliadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Unasul deverá criar o ambiente para que os Sul-americanos lavem suas roupas sujas em seu próprio terreno e não precisem mais recorrer à OEA e ao Grupo do Rio, organizações nas quais atores de outras regiões, como os Estados Unidos e o México, têm peso.

"A Unasul é o espaço adequado para tratar desses temas, seguramente", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ontem, ao ser questionado se essa organização seria um canal para a solução de freqüentes dilemas entre os países sul-americanos. "Uma institucionalidade está sendo criada. Depois do Mercosul, esse é o primeiro tratado que cria uma organização de vários países na América do Sul. Portanto, não será apenas uma declaração política que pode ser seguida um dia e, no outro, não ser seguida", completou.

Na abertura da reunião, o presidente Lula vai argumentar que o Conselho Sul-americano de Defesa - o braço da Unasul que abrirá um canal para a discussão de temas de segurança na região, a montagem de um mecanismo de inteligência comum, a solução de controvérsias sobre fronteiras e a produção local e conjunta de armamento - não terá idéias preconcebidas.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, mantém-se irredutível quanto à decisão de não incluir seu país no Conselho, por considerar que cabe à OEA lidar com as questões de segurança nas Américas. A resistência da Colômbia deverá ser discutida em separado, ao final da reunião, pelos presidentes Lula e Uribe, no Itamaraty.

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