BRASÍLIA ¿ Na investigação sobre o acidente do vôo JJ 3054 da TAM que vitimou 199 pessoas em São Paulo há um ano, uma das maiores polêmicas foi a posição das manetes da aeronave. Nesta quinta-feira, o brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, chefe do Centro da Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) disse que, apesar dos dados do computador e gravações indicarem que a manete direita não estava na posição correta, a informação nunca poderá ser comprovada. No momento do acidente, as manetes estavam na posição idle (neutro), pois o reverso da turbina estava travado.


De acordo com Kersul Filho, em depoimento na Comissão de Constituição e Justiça em Brasília, vários testes físicos foram feitos no que restou das manetes após o acidente e o resultado foi inconclusivo. Os manetes viraram um bloco sólido de alumínio devido as altas temperatura no momento acidente, disse.

Segundo ele, o material foi levado para a França - sempre sobre a supervisão de investigadores brasileiros - onde uma série de raios-x foram feitos no objeto, na tentativa de identificar a posição do equipamento no momento do acidente.

No entanto, os raio-x não responderam a questão. Após isso, foi feito uma tomografia no equipamento, o que gerou diversos registros fotográficos da peça. Esse teste também não trouxe resultados. De volta ao Brasil, o que sobrou das manetes começou a ser desconstruído no Centro Técnico Aeroespacial (CTA). No local, o equipamento teve algumas camadas derretidas, foi desmontado com toda minúcia possível, mas também não foi possível identificar a posição da peça na hora do acidente.

Os estudos não nos trouxeram informação que refutasse o que os computadores ou gravadores do avião disseram, alegou. Com isso, o brigadeiro informou que não será possível chegar a uma conclusão sobre a posição das manetes.

Na investigação da aeronáutica, as duas hipóteses são plausíveis. Uma delas é de que a manete realmente estava na posição errada e a outra é que o piloto teria colocado o equipamento na posição correta, mas que por algum tipo de pane no computador da aeronave, a informação não teria sido registrada.

Apesar do relatório final produzido pela aeronáutica sobre o acidente, Kersul disse que a posição das manetes será tratada como um dos fatores que contribuíram para o evento. Ele alegou que o documento não vai trazer uma causa definitiva, mas sim um conjunto de fatores que levaram ao ocorrido.

Não disse que fator determinante foram as manetes, a investigação não define fator determinante nem suas gradações. Todos os fatores tem o mesmo tratamento, concluiu.

Era possível arremeter

Além disso, Kersul, alegou, durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados para avaliar as conseqüências das decisões tomadas após o encerramento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise Aérea, que teria sido possível ao piloto arremeter (decolar novamente) a aeronave, o que evitaria o acidente.

De acordo com ele, o avião estava a 140 nós de velocidade na pista do aeroporto de Congonhas, o suficiente para fazer a nova decolagem e evitar o acidente. Apesar da declaração, Kersul fez questão de falar que, após o ocorrido e "dentro do ar-condicionado" muitas hipóteses podem ser aventadas, mas que no momento de dificuldade as "coisas são diferentes".

Outro ponto destacado pelo chefe do Cenipa que poderia ter evitado a tragédia diz respeito à localização do aeroporto. Para ele a pista não foi um fator decisivo no acidente, visto que outras aeronaves a usaram para o pouso. O problema se dá justamente nas áreas de escape.

Ele lembrou que acidentes semelhantes aconteceram fora do Brasil, mas que nesses eventos, apesar do acidente, não houve a "catástrofe" devido ao espaço além da pista, que permitiu aos aviões a redução de velocidade antes de qualquer impacto.

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