O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu na noite de sexta-feira o apoio das mulheres venezuelanas à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para a Presidência do Brasil. O pedido foi feito em um discurso de Chávez para cerca de mil mulheres que participavam da comemoração do aniversário de dez anos do Inamujer, órgão governamental responsável pela definição de políticas para mulheres da Venezuela.

AE
Lula junto com Chávez durante visita a Caracas

Lula junto com Chávez durante visita a Caracas

Dilma Rousseff esteve na guerrilha no Brasil, esteve presa, torturada e está se preparando para assumir a campanha no próximo ano. Aqui, chamo a todas que apoiemos Dilma para a Presidência do Brasil. Uma mulher digna, revolucionária, valente, disse Chávez.

Dilma acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na visita de dois dias à Venezuela e conversou com Chávez durante uma reunião que mantiveram na noite de quinta-feira.

A ministra e possível candidata do PT à presidência também acompanhou Chávez e Lula a El Tigre, onde os presidentes visitaram os campos de soja do sudeste venezuelano, como parte de uma visita durante a qual os dois líderes assinaram vários convênios.

"Lula como Cristo"

Chávez ainda comparou Lula a Cristo "anunciando a boa nova". Ele se referia ao fato de o presidente ter chegado à capital venezuelana, Caracas, com a informação de que a Comissão de Relações Exteriores do Senado havia aprovado o protocolo de ingresso da Venezuela no Mercosul.

Em 2007, Chávez chamou os senadores brasileiros de "papagaios de Washington" por terem aprovado moção pedindo a reabertura da RCTV, de Caracas, que encerrara suas atividades por não ter o governo venezuelano renovado sua concessão.

Na sexta-feira, Chávez insistiu na afirmação de que a Venezuela é um país onde há "plena democracia" e "plena liberdade de expressão". "Que ninguém acredite nesses pontos sobre o ditador Chávez e sobre a perseguição a jornalistas", afirmou. "Em Honduras, sim, há ditadura e fecharam canais (de televisão e rádio). Aqui, não. Vocês podem dizer o que queiram."

Venezuela no Mercosul

Ao comentar a decisão da Comissão de Relações Exteriores, Chávez observou que ainda pode haver obstáculos e tropeços no plenário do Senado brasileiro durante a tramitação do projeto de entrada da Venezuela no Mercosul, mas insistiu: "O horizonte é positivo. Considero que, dos pontos de vista moral, político e territorial, a Venezuela já é Mercosul. Agora, faltam esses passos, próprios de cada país."

Ele se referia ao fato de que o protocolo de adesão da Venezuela ao bloco econômico do Cone Sul ainda precisa ser aprovado pelos plenários dos Congressos do Brasil e do Paraguai. A uma pergunta sobre a possibilidade de pedir ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que interceda para acelerar a tramitação do protocolo, Chávez respondeu que o Paraguai tem seu próprio ritmo, mas se disse convencido de que, mais cedo do que tarde, o Congresso paraguaio aprovará o ingresso da Venezuela, porque essa medida beneficiaria a todos.

"O Mercosul vai-se tornar um polo de poder econômico. Inclusive os opositores, que têm suas razões, no fundo devem reconhecer que é de interesse de todos que a Venezuela entre no Mercosul", disse, referindo-se à possibilidade de expansão do livre mercado até a região do Caribe e ao acréscimo de 30 milhões de habitantes.

(*com informações das agências AFP e Estado)

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