O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou hoje que seu colega Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou ontem em Caracas como Cristo anunciando a boa nova. Ele se referia ao fato de Lula ter chegado à capital venezuelana com a informação de que a Comissão de Relações Exteriores do Senado havia aprovado o protocolo de ingresso da Venezuela no Mercosul.

Em 2007, Chávez chamou os senadores brasileiros de "papagaios de Washington" por terem aprovado moção pedindo a reabertura da RCTV, de Caracas, que encerrara suas atividades por não ter o governo venezuelano renovado sua concessão.

Esta tarde, Chávez insistiu na afirmação de que a Venezuela é um país onde há "plena democracia" e "plena liberdade de expressão". "Que ninguém acredite nesses pontos sobre o ditador Chávez e sobre a perseguição a jornalistas", afirmou. "Em Honduras, sim, há ditadura e fecharam canais (de televisão e rádio). Aqui, não. Vocês podem dizer o que queiram." Ao comentar a decisão da Comissão de Relações Exteriores, Chávez observou que ainda pode haver obstáculos e tropeços no plenário do Senado brasileiro durante a tramitação do projeto de entrada da Venezuela no Mercosul, mas insistiu: "O horizonte é positivo. Considero que, dos pontos de vista moral, político e territorial, a Venezuela já é Mercosul. Agora, faltam esses passos, próprios de cada país."

Ele se referia ao fato de que o protocolo de adesão da Venezuela ao bloco econômico do Cone Sul ainda precisa ser aprovado pelos plenários dos Congressos do Brasil e do Paraguai. A uma pergunta sobre a possibilidade de pedir ao presidente do Paraguai, Fernando Lugo, que interceda para acelerar a tramitação do protocolo, Chávez respondeu que o Paraguai tem seu próprio ritmo, mas se disse convencido de que, mais cedo do que tarde, o Congresso paraguaio aprovará o ingresso da Venezuela, porque essa medida beneficiaria a todos.

"O Mercosul vai-se tornar um polo de poder econômico. Inclusive os opositores, que têm suas razões, no fundo devem reconhecer que é de interesse de todos que a Venezuela entre no Mercosul", disse, referindo-se à possibilidade de expansão do livre mercado até a região do Caribe e ao acréscimo de 30 milhões de habitantes.

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