Charlton Heston, o herói de filmes épicos que defendia os DH e as armas

Chegou ao estrelato hollywoodiano interpretando Moisés em Os Dez Mandamentos, mas Charlton Heston também se destacou por ser um ferrenho defensor dos direitos inalienáveis do homem e, contraditoriamente, também do uso de armas.

AFP |

Heston, que começou como ativista dos direitos civis, depois um apaixonado promotor das artes, e, posteriormente, um controvertido partidário do direito dos americanos portarem armas de fogo, foi muito mais que um herói de filmes épicos.

O cantor e 'bad boy' do cinema, Frank Sinatra, uma vez disse: "Esse homem, o Heston, tem que tomar cuidado. Se não for prudente, vai acabar dando aos atores um bom nome".

Batizado John Charlton Carter quando nasceu em 4 de outubro de 1924 em Evanston, Illinois, Heston criou seu nome artístico ao combinar o sobrenome de solteira de sua mãe, Charlton, com o de seu padrasto, Heston.

Heston foi um menino tímido durante sua infância no Michigan rural e teve poucos amigos. Depois que se mudou para Chicago, ficou mais sociável, passando a jogar numa equipe de futebol americano e atuar em teatro.

Estudou na Universidade Northwestern, serviu na força aérea na II Guerra Mundial e finalmente chegou à Broadway, onde debutou em "Antônio e Cleopátra".

Foi um dos primeiros atores da Broadway que conseguiu fazer a transição para a televisão, com papéis em "Macbeth", "Jane Eyre" e "O morro dos ventos uivantes", entre outros teleteatros.

Em uma longa carreira de meio século, participou de 62 longas.

Nos anos 80 voltou à televisão e participou da bem sucedida série "Dinastia".

"Personifiquei cardeais e caubóis, reis e generais, presidentes e pintores, policiais e fraudadores", comentou certa vez.

Apesar de ter conseguido maior destaque em filmes épicos como "Ben Hur" e "Os Dez Mandamentos", Heston também teve grandes papéis na ficção científica, como no clássico de 1960 "O Planeta dos Macacos".

Anthony Mann, que o dirigiu em "El Cid", disse que "Charlton é o ator ideal para u, filme épico". "Além de seus atributos físicos, sabe andar a cavalo, manejar uma espada, uma lança, qualquer coisa, como se tivessem sido feitas para ele. É incrível. Coloquem uma toga nele e ele fica fenomenal".

Esta versatilidade e talento natural o ajudaram a ganhar o Oscar de melhor ator em 1959 por "Ben Hur", assim como prêmios em mais de vinte países.

Da mesma forma fez sucesso em filmes-catástrofes como "Terremoto" e "Aeroporto 1975".

Mas foi o ativismo que se transformou no papel-chave que Heston interpretou em sua vida.

Foi seis vezes presidente do sindicato de atores, de 1965 a 1971, chefe do Instituto Americano de Cinema e escolhido pelo ex-presidente Ronald Reagan para liderar a equipe de trabalho da Casa Branca para as Artes e Humanidades.

Obteve o prêmio Jean Hersholt em 1977 da Academia das Ciências e Artes Cinematográficas por seu trabalho humanitário.

Heston foi um audacioso ativista dos direitos civis e esteve junto a Martin Luther King Junior durante a marcha de 1963 em Washington.

Também foi um entusiasta das armas, sendo quatro vezes presidente do grupo de pressão Associação Nacional do Rifle, o que lhe valeu muitas críticas.

Heston visitou as tropas americanas no Vietnã três vezes.

Depois de superar um câncer de próstata, emitiu um comunicado em agosto de 2002 informando que sofria de Mal de Alzheimer. "Para um ator, não há maior perda do que o público. Posso separar o Mar Vermelho, mas não posso me separar de vocês, por isso não os excluo dessa etapa de minha vida".

Heston deixa esposa de 64 anos, Lydia, dois filhos e três netos.

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