Por Carmen Munari SÃO PAULO (Reuters) - Nem bem o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), desistiu de concorrer à Presidência da República e o PPS já está em campo para que o mineiro ocupe o lugar de vice de uma provável candidatura do governador José Serra (PSDB).


Aliado de tucanos de democratas, o PPS, mais chegado a Serra, acredita que a decisão do governador mineiro foi fruto da percepção de que o PSDB tendia à escolha do colega paulista, e julga que não há atritos entre os dois.

"É a chapa que todo o Brasil oposicionista deseja. Aécio vai se sensibilizar", disse à Reuters o presidente da sigla, Roberto Freire. "Dá competitividade maior."

Freire afirmou que atuará diretamente nesta articulação.

"Eu vou trabalhar pessoalmente por isso (Aécio como vice). O PPS acredita que Aécio não pode se contentar com um cenário de Minas Gerais. Tem que estar presente no cenário nacional", afirmou.

Ele vai procurar o governador mineiro depois das festas de fim de ano, mas admite que não foi comunicado antecipadamente da saída de Aécio da corrida presidencial.

Informado que o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), afirmou que não abre mão da vaga de vice para seu partido caso Aécio não aceite o posto, Freire disse que não é hora de o aliado pensar nisso.

"Não precisamos ter plano B para vice, vamos entrar nesse processo com o plano A (Aécio). Qualquer posição admitindo uma alternativa a esta enfraquece a posição perante a sociedade", afirmou.

Freire diz que tem dois argumentos principais pela candidatura do vice: o fato de o governador não ter indicado seu futuro político na carta de desistência e o fato de que ele é o maior líder político de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, o que daria musculatura à candidatura das oposições.

Até agora, Aécio tem afastando esta hipótese. "Essa possibilidade não existe", assegurou em encontro com empresários há poucos dias.

Quanto à demora na decisão de Serra, líder das pesquisas de opinião, Freire diz que "já está anunciado" e que sem a presença de Aécio diminuiu a pressão sobre o anúncio, porque se retirou a insistência do mineiro por datas.

Ao mesmo tempo que diz que declara não se preocupar com a pré-candidata Dilma Rousseff (PT), Freire diz que a eleição não vai ser fácil. "O governo tem popularidade e não tem limites, não vamos ter pato morto na campanha."

O PPS, que apoiou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, rompeu com o governo em 2004, "antes do mensalão", segundo Freire. O motivo, segundo o ex-deputado, foi a contrariedade com a política econômica, que "continuamos criticando".

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