CGU irá pedir ressarcimento de gastos irregulares de ministros de FHC

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, anunciou nesta quinta-feira que irá pedir ressarcimento de gastos irregulares feitos por ministros do então presidente Fernando Henrique Cardoso cujas contas estão sendo investigadas pela CGU. Entre os gastos, estão a massagem feita por Raul Jungmann (ex-ministro do desenvolvimento Agrário e atualmente deputado federal do PPS) num hotel e compras em supermercados ordenadas por Paulo Renato (ex-ministro da Educação e hoje deputado pelo PSDB).

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

Segundo Jorge Hage, a Controladoria continua no processo de apuração de despesas daqueles políticos por meio de contas tipo B ¿ forma de pagamento que antecedeu os cartões corporativos ¿, mas já está certo o pedido de devolução do dinheiro, mesmo sendo fatos ocorridos no governo anterior.

Despesa de alimentação de ministro em Brasília nunca pôde, nem massagem, nem refeição, nem alimentos para cozinha de ministério. O fato de ter sido no passado não interfere em nada, é um direito da administração pública ter o ressarcimento, alegou Jorge Hage, sem mencionar diretamente os dois ministros da era FHC.

Ele esclareceu que a CGU não tem poder de exigir a devolução dos valores, apenas fará a solicitação. Em caso de recusa, enviará a documentação ao Tribunal de Contas da União (TCU), que, se confirmar tal entendimento, poderá exigir o ressarcimento sob risco de punições aos políticos.

Histórico

Embora não tenha citado nomes, as declarações do ministro da CGU se referiram ao deputado federal Paulo Renato (PSDB-SP), ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso, e ao deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ministro do Desenvolvimento Agrário na mesma gestão.

Paulo Renato chegou a se defender, no dia 17 de abril, das acusações de gastos irregulares em supermercados, e exibiu documentação relativa à sua época no ministério. O ex-ministro alegou que do início de 1997 a julho de 1998, passou a usar dinheiro do órgão para fazer compras nos estabelecimentos para realizar almoços a trabalho, embasado em parecer do controle interno do MEC. Mas suspendeu a prática devido a outro parecer do governo federal.

Antes de Paulo Renato, havia sido a vez de Raul Jungmann se explicar, no início de abril. O ex-ministro do PPS reconheceu que existem gastos aparentemente estranhos em suas contas, como o pagamento de uma sessão de massagem num hotel de luxo em Recife (PE), mas apresentou justificativas.

"Encontramos [na documentação] uma nota fiscal do Othon Palace de uma massagem no valor de R$ 60, mas ao lado há a nota fiscal e a cópia do cheque. Foi um gasto emergencial, tudo está em conformidade. Eu sofro de problemas de coluna, e até hoje faço fisioterapia duas vezes por semana", justificou o parlamentar.

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