CGU contesta que gastos com cartões da Presidência tenham crescido 405%

BRASÍLIA - A Controladoria-Geral da União (CGU) divulgou no início da noite desta segunda-feira uma nota contradizendo a informação de que os gastos da Presidência da República com cartões em corporativos teria crescido 405% nos primeiros meses de 2009 em relação ao mesmo período de 2008. Os dados foram publicados em reportagem do jornal O Globo desta segunda-feira.

Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias |

Segundo a nota, se comparados os períodos de janeiro até o dia 11 de março, de que trata a reportagem, entre os dois anos, o aumento teria sido de 41%, passando de R$ 2.671.467,39 para R$ 3.783.985,88.

Quando tomado por base o gasto da Secretaria de Administração isoladamente, com os cartões de pagamento do governo federal, o aumento seria de 169%, passando de R$ 1.001.965,55 para R$ 2.696.236,56. "Vale destacar que o mês responsável por esse aumento foi o de janeiro de 2009, que reflete as despesas do mês anterior (dezembro de 2008), quando se realizou, na Bahia, a Reunião de Cúpula com 30 chefes de Estado da América Latina e Caribe", explica a CGU.

Já nos meses de fevereiro e março, o crescimento teria sido menor. "Além disso, observa-se que os demais órgãos da Presidência, em sua maioria, tiveram redução significativa nos gastos com cartão", pontua o órgão. Seria o caso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teria registrado redução de 63%, se comparadas as despesas de janeiro do ano passado com as de janeiro deste ano.

Baseada em dados do Portal da Transparência, a CGU acrescenta que o sistema apresenta as transações efetivamente ocorridas no mês anterior, diferentemente, em parte, da sistemática do Siafi, da qual foram extraídos os dados da reportagem.

No caso das compras diretas, eles apresentam uma diferença para menor de cerca de R$ 400 mil no primeiro trimestre de 2008. Isso porque a fatura de dezembro de 2007 foi paga ao Banco do Brasil no próprio mês de dezembro, e não no início do mês seguinte, comoo usual.

"Isso distorceu a base do cálculo do primeiro trimestre de 2008, que reduziu-se para R$ 523 mil, segundo a fonte do jornal, quando na realidade a despesa do trimestre (para ser comparada com igual período de 2009) tem que levar em conta esta fatura, ficando superior a R$ 900 mil.

A CGU também contesta os dados sobre saques com o cartão. Segundo o orgão, os números, publicados pelo jornal, relativos ao primeiro trimestre de 2008 não correspondem ao que está no Siafi nem no Portal da Transparência. "Pelo Portal, são R$ 69 mil e pelo Siafi, R$ 50 mil. Já a matéria aponta apenas R$ 25 mil, mais uma vez contribuindo para ampliar falsamente o percentual de incremento de um ano para o outro", destaca a nota.

"O incremento, então, pelo Siafi foi de 162% e pelo Portal, de 169%, o que se explica, como já dito pela Casa Civil, pelos eventos excepcionais havidos no período ¿ Encontro de Chefes de Estado e Fórum Social Mundial", conclui.

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