Dez meses depois de adotadas as medidas restritivas pela Prefeitura, os números da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que as multas aplicadas aos veículos pesados que desrespeitam a Zona Máxima de Restrição de Circulação (ZMRC) durante o dia caíram 60% ao mês, entre julho de 2008 e fevereiro deste ano. Mas o barulho à noite aumentou e moradores reclamam que não conseguem dormir.

Em julho, início da restrição, houve 23.532 autuações de caminhões. Em fevereiro deste ano, foram 9.361. Ao mesmo tempo, cresceu conflito de caminhões com a Lei do Silêncio, que garante veta barulho entre 22 e 7 horas. De agosto a dezembro, houve 1.595 reclamações de excesso de barulho ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu) da Prefeitura, com médias mensais de 230, mais do que o dobro da média de 2007, de 110. O pico foi em setembro de 2008 - 413 reclamações, 83% a mais do que em 2007.

Mas o cidadão que procura o Psiu para reclamar dos ruídos recebe a informação de que uma queixa pode levar de dez dias até seis meses para ser apurada. “Foi o prazo que me deram. Até lá, a obra já terá acabado. O problema é que deixaram de fazer barulho de dia e passaram a fazê-lo apenas a noite, depois de 22h30”, reclama Pedro Durán Miletti, vizinho de uma obra de demolição na Avenida Paulista. E quem prefere acionar a polícia ouve frequentemente que “é de madrugada mesmo” que os caminhões podem andar e, assim, também fica de mãos atadas.

“Registramos boletim de ocorrência, chamamos a polícia, Psiu, mas disseram que não poderiam fazer nada. Todos os nossos canais foram esgotados”, lamenta Miá Melo, que mora na Alameda Franca. Há meses, ela e os vizinhos não conseguem dormir com o barulho de uma obra. Desesperados, eles organizaram um abaixo-assinado. Um dos engenheiros responsáveis pela construção conversou com a reportagem e admitiu que, quando necessário, carrega caminhões à noite. “Temos uma autorização para isso”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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