Cesare Battisti entra em greve de fome, diz senador

BRASÍLIA - O ex-ativista de esquerda Cesare Battisti, que aguarda o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar o pedido de extradição apresentado pelo governo italiano, iniciou nesta sexta-feira uma greve de fome, segundo informou o senador José Nery (PSOL). No entanto, o escritório do advogado Luís Roberto Barroso, que defende Battisti, disse não ter informações sobre o assunto.

Redação |


Em declarações à Ansa, o senador informou que Battisti está em "greve total de fome" e que ele escreveu uma carta aberta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual argumenta que não lhe "resta outra alternativa".

Segundo fontes que estiveram com Battisti nesta sexta-feira no presídio da Papuda, em Brasília, o ex-militante de esquerda está abatido. Na ocasião, vestia uma camiseta, bermudas e calçava chilenas.

Ainda de acordo com Nery, a intenção era entregar o texto ao secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, para que ele o levasse a Lula, antes do presidente iniciar uma viagem internacional. A agenda do mandatário previa sua partida à França para as 22h, horário de Brasília. Depois, ele é esperado na Itália.

"Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade", diz Battisti em um trecho da carta.

No decorrer do texto, ele afirma ainda que "é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político", diz que "no Brasil uns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum" e agradece a concessão de refúgio dada pelo governo brasileiro. "Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro", conclui o italiano na carta datada de 13 de novembro.

Condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios cometidos na década de 1970, Battisti é requerido pelo Estado italiano para que cumpra sua pena no país. Contudo, ele obteve do Brasil o status de refugiado político em janeiro deste ano.

O pedido italiano é agora analisado pelo STF. A primeira votação da Casa, realizada no dia 9 de setembro, terminou com um placar favorável à deportação, que obteve apoio de quatro dos ministros; os outros três, que se pronunciaram, votaram pela permanência do italiano no Brasil.

Na quinta-feira, o ministro Marco Aurélio Mello empatou o placar ratificando seu apoio ao refúgio concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, suspendeu a sessão sem se pronunciar.

Na última semana, em entrevista à Ansa, Battisti disse acreditar que o presidente ratificará o seu refúgio caso o STF acate o pedido do governo italiano e ordene a sua extradição.

"Eu não perdi a confiança no presidente Lula", disse o italiano em uma entrevista exclusiva à Ansa, direto da Papuda, onde está detido desde 2007.

Com Ansa

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