Para tentar ajudar a catapultar sua candidata para o segundo turno, o prefeito Cesar Maia (DEM) escolheu o ataque. Ontem, discursando num evento de campanha de Solange Amaral (DEM) pouco antes da divulgação da pesquisa, ele chamou Marcelo Crivella (PRB) de demagogo pseudo-evangélico e referiu-se à Igreja Universal como clube caça-níqueis.

Maia ainda cutucou a campanha de Paes, seu desafeto, ao dizer que a eleição do governador Sérgio Cabral (PMDB)passou pela cumplicidade do tráfico de drogas e das milícias. "O que fiz foi mostrar os pecados de cada um. Sublinhar o populismo de Crivella é importante para que ele não dê uma de bom pastor, quando o que faz é a básica clientela", justificou o prefeito. Maia diz que não vai aceitar que os adversários de Solange se comportem como "franco-atiradores".

A postura do prefeito tem relação com outro aspecto da pesquisa do Ibope: sua avaliação só é boa e ótima para 23% dos cariocas. Por isso, embora não renegue a presença de Maia na campanha, Solange tem se esforçado para se mostrar mais independente do que em 2002, quando concorreu ao governo estadual reproduzindo até o gestual do prefeito. No início da campanha definiu-se como uma candidata "pós-Cesar Maia".

Para o cientista político Ricardo Ismael, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), a multiplicação de candidaturas no Rio este ano é conseqüência do enfraquecimento do prefeito e cria um cenário imprevisível.

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