Cerca de 150 mil participam no Rio de passeata contra a emenda Ibsen, diz PM

A chuva que atingiu o centro do Rio não desanimou centenas de manifestantes que participaram da passeata contra a emenda Ibsen, que redistribui os royalties do petróleo e tira R$ 7 bilhões do governo estadual e dos municípios fluminenses. De acordo com estimativas da Polícia Militar, cerca de 150 mil pessoas participaram do protesto - anteriormente, a corporação havia divulgado o número de 80 mil manifestantes, mas o número foi retificado.

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

André Durão
Cabral durante passeata no Rio

Sérgio Cabral durante passeata contra a emenda Ibsen no centro do Rio

Ao som de Cidade Maravilhosa em ritmo de carnaval, o governador Sérgio Cabral (PMDB) deu início ao comício realizado na Cinelândia. Ele apareceu no palco com um grande número de políticos entre aliados, como o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e adversários, como a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho (PMDB).

Também estiveram presentes o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), e os três senadores fluminenses, que terão a missão de reverter a emenda no Senado. O evento contou ainda com a presença de Marcelo Crivella (PRB), Francisco Dornelles (PP) e Paulo Duque (PMDB). O senador capixaba Magno Malta também foi ao Rio  participar da comício.

O protesto contou ainda com membros das prefeituras de Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Duque de Caxias, Belford Roxo e Quissamã, um dos mais prejudicados pela emenda. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio (OAB-RJ) e do movimento GLBT também marcaram presença.

André Durão

Drag queen partipa de manifestação contra a emenda Ibsen

Isso é revoltante! É um abuso retirarem os royalties do Rio. Esse é um direito do Estado, disse a drag queen Eula Rochard, conselheira estadual do movimento GLBT, completando que mais de 800 pessoas do movimento gay estiveram presentes no ato.

Alguns grupos carregaram bandeiras de partidos políticos aliados do governador, mas, o evento também contou com a presença de adversários políticos de Cabral. O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) discursou para simpatizantes à frente da concentração usando um megafone.

Um grupo da juventude do PSDB abriu uma faixa com os dizeres: "Não adianta chorar. Quem mandou confiar no Lula", numa referência à confiança de Cabral no veto do presidente da República e na emoção que ele revelou ao chorar em um evento após a aprovação da emenda. Além de usar camisetas com o slogan da campanha "Contra a Covardia em Defesa do Rio", muitos participantes estão receberam bandeiras do Estado do Rio distribuídas por funcionários da governo estadual.

Segurança

Mais de quatro mil policiais militares fizeram a segurança na passeata , que teve início na Candelária e seguiu até a Cinelândia. De acordo com a Polícia Militar, o efetivo utilizado no ato se concentrou nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, nas ruas localizadas no entorno dessas vias e nos locais de escoamento do trânsito e de concentração de ônibus de caravanas, como o Teleporto e a Cidade do Samba.

Por causa do manifesto, o centro do Rio teve um esquema especial de trânsito. Segundo a prefeitura, painéis de mensagens variáveis foram posicionados em vários pontos da cidade, orientando os motoristas em relação às interdições e à passeata. Cerca de 280 agentes da Guarda Municipal e 50 agentes de tráfego da CET-Rio trabalharam na região impactada pelas interdições.

André Durão
Passeata

Manifestantes fazem velório pela morte política de Ibsen no Rio

Barulho

A estratégia da passeata desta quarta-feira foi fazer barulho e pressionar o Senado para derrubar a emenda Ibsen, aprovada na Câmara. Caso passe no Senado, segundo Cabral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já assumiu o compromisso de que vai vetar o projeto. Se a estratégia não der certo, avisou o governador, o Estado deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Cabral e seus aliados argumentam que a emenda aprovada na Câmara é inconstitucional.

Com a emenda, o município de Campos dos Goytacazes pode perder R$ 800 milhões de royalties do petróleo, ficando com cerca de R$ 100 milhões. Em Macaé, a receita deve cair de R$ 400 milhões para R$ 2 milhões. Cabo Frio, de R$ 120 milhões para R$ 2 milhões. Abalada no início do ano pelas chuvas que atingiram a cidade, Angra dos Reis pode ver a receita minguar de R$ 90 milhões para R$ 3 milhões. 

(*com informações da Agência Estado)

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