Centro-Oeste paga os mais altos salários para médicos no País

Enfermeiro do Sudeste ganha quase um quinto de profissional iniciante no CO, cuja renda é maior do que a média no Nordeste

Danilo Fariello, iG Brasília |

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira em Brasília pelo Conselho Nacional de Secretários de Administração (Consad) revela grandes disparidades nos salários pagos a servidores públicos em diferentes regiões do País, o que estimula a migração desses profissionais e a tentativa em concursos em Estados distantes. O levantamento leva em conta Estados de Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste apenas.

Um enfermeiro em início de carreira no Sudeste, por exemplo, ganha quase um quinto do valor do Centro-Oeste. No Nordeste, o salário inicial é maior do que no Sudeste. Nas médias para enfermeiros, a do Nordeste é de R$ 2.312,59, enquanto que a do Sudeste é de R$ 2.638,21 e a do Centro-Oeste, 3.945,05.

A surpresa da pesquisa, segundo seus próprios autores, é o fato de, no Nordeste, se pagar mais a algumas categorias de saúde do que no Sudeste. Os rendimentos mais altos de médicos no Nordeste chega a R$ 14,6 mil, enquanto que no Sudeste, o máximo é de R$ 11,4 mil, para carga horária de 20 horas semanais. No Centro-Oeste, o máximo é de R$ 22,9 mil.

Para enfermeiros, o salário máximo é mesmo para servidores do Sudeste, que recebem até R$ 7.110,64 por mês, enquanto que no Centro-Oeste a renda máxima é de R$ 7.083,07 e no Nordeste, de 5.626,39. Em compensação, o salário inicial do enfermeiro no Centro-Oeste é o mais alto, de R$ 2,5 mil, enquanto que no Sudeste fica em R$ 542,42 e no Nordeste, em R$ 893,79.

A renda média do médico brasileiro que trabalha 20 horas para o governo é R$ 5.125,23 e a do enfermeiro, que trabalha 30 horas, é R$ 2.965,28.

Na área de educação, a comparação é difícil porque cada Estado tem suas regras particulares para definir a remuneração total. A pesquisa considerou professores de Ensinos Fundamental e Médio. Novamente, os números do Centro-Oeste são melhores. Apesar de os valores mínimo e máximo do Sudeste serem os maiores, a média mais alta é mesmo do Centro-Oeste, em R$ 2.102,03. Para o Sudeste, a média é de R$ 2.028,97 e no Nordeste, de R$ 1.189,26. A renda média do professor que trabalha 30 horas por semana para um Estado é de R$ 1.773,42.

Para soldados, agentes de polícia e escrivães, a regra do salário médio também é válida. Com rendas maiores no Centro-Oeste, seguidas pelo Sudeste e, por último, o Nordeste. Considerados todos os Estados pesquisados, a renda média do soldado é de R$ 2.352,23, do agente de polícia é R$ 3.433,21, do escrivão, 3.409,05 e do delegado, 9.701,60.

Uma exceção é o caso dos delegados, em que aqueles do Centro-Oeste são melhores remunerados, mas os nordestinos recebem, em média, mais do que seus colegas do Sudeste. Um delegado no Centro-Oeste chega a receber até R$ 31.866,80, como remuneração total mensal.

A pesquisa tem base em dados de julho do ano passado e consideram não sós vencimentos, mas todas as gratificações recebidas pelos servidores públicos.

Para o presidente do Consad e secretário do Rio de Janeiro, Sergio Ruy Barbosa, essas distorções levam a uma concorrência não-intencional entre os Estados, que faz com que os servidores migrem entre as regiões. “No Rio, no último concurso de especialista em políticas públicas, um terço dos aprovados não era do Estado”, diz. “O mais comum hoje é ver gente fazendo concurso em lugares diferentes.”

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