Uísque 12 anos, vinho chileno e prosecco, servidos em 1,5 mil copos e taças, regaram um coquetel promovido hoje pelas centrais sindicais no Salão Negro do Congresso. Motivo: agradecer aos parlamentares a aprovação de projeto de lei que destina às centrais 10% dos recursos arrecadados com a contribuição sindical.

A expectativa é que as centrais recebam cerca de R$ 100 milhões por ano. Parlamentares de todos os matizes políticos passaram pela festa: desde os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), até o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que prestigiou os sindicalistas.

"Eu não pago contribuição social. Não sou celetista. Não sou sindicalizado", desconversou Lupi, que preferiu não comentar os gastos da festa promovida pelas entidades. Segundo o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho , a festa custou R$ 17,5 mil, rateados entre cinco centrais sindicais. Cada uma delas pagou R$ 3,5 mil.

"Esse dinheiro não é do imposto sindical. Não recebemos nada ainda", afirmou. "Mas isso não significa que não vamos usar o dinheiro que vamos receber em eventos desse tipo", disse. "Vamos vir muito mais a Brasília porque teremos mais recursos", observou, ao lembrar que os empresários costumam a alugar aviões para vir a Brasília quanto têm projetos de interesse para serem votados no Legislativo.

O Salão Negro foi decorado com duas grandes faixas para saudar os parlamentares, que receberam um diploma de agradecimento pelo voto favorável ao projeto. "Agradecimento. Os trabalhadores brasileiros agradecem o apoio recebido dos parlamentares que votaram a regulamentação das centrais sindicais." Além de bebida à vontade, a festa dos sindicalistas tinha sushi , canapés finos, salgadinhos e frutas. "Esse esforço pela legitimação do movimento sindical vai continuar no Congresso", disse Chinaglia, ao discursar na festa.

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