Rio de Janeiro, 12 abr (EFE).- Centenas de famílias foram retiradas de suas casas hoje no morro do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio de Janeiro, depois que as autoridades deram início a uma política de prevenção para evitar mais mortes por deslizamentos de terra.

As fortes chuvas que castigaram o estado do Rio de Janeiro na semana passada e deixaram 229 mortos até o momento fez com que as autoridades decidissem intervir e derrubar as casas situadas em zonas de risco, com o objetivo de evitar uma tragédia ainda maior.

Na morro do Urubu, moradores, amigos e funcionários da Prefeitura ajudavam hoje a esvaziar as casas antes da chegada das escavadeiras.

Nem todas as casas do morro do Urubu foram construídas em zonas de risco, mas algumas serão derrubadas para facilitar o trabalho das máquinas.

É o caso de Maria Luisa, de 51 anos, que vive na favela desde que nasceu e afirma que sua casa é segura e pode suportar qualquer inundação. "Já resistiu a inundações nos anos 60, quando morreu muita mais gente", conta.

O Governo do estado estipulou uma ajuda de R$ 400 mensais para ajudar às famílias a pagar o aluguel de suas novas casas, enquanto são construídas novas moradias no centro da cidade.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou ontem a construção de 2 mil casas no terreno da antiga prisão Frei Caneca, que foi derrubada no mês passado.

A mulher sabe que não pode fazer nada para salvar sua casa e se conforma em aceitar as condições oferecidas pela Prefeitura. "Não sei se isto é para o bem. Só poderei responder quando estivermos morando lá", afirma Maria Luisa.

Aos moradores da comunidade, alguns cujas casas já foram destruídas, restou apenas observar as escavadeiras avançando e derrubando uma casa após outra.

Uma idosa chegou a desmaiar ao ver o lugar onde sempre morou desaparecer pouco a pouco, enquanto as crianças encararam a mudança forçada como uma brincadeira.

"Paguei por esta casa trabalhando duro, limpando casas, e em um dia desaparece", se lamentou Ledir, de 61 anos, que não consegue conter as lágrimas quando fala sobre o assunto.

O homem acrescentou que não queria deixar a comunidade, mas que também não tinha escolha. "É triste demais, não sei como explicar", afirma.

No total, oito favelas da cidade do Rio de Janeiro serão interditadas e cerca de 4 mil famílias serão obrigadas a abandonar suas casas.

Calcula-se que no Rio de Janeiro haja 10 mil casas construídas nas chamadas áreas de risco geológico e a Prefeitura pretende removê-las antes de 2012. EFE af/pd

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