SÃO PAULO ¿ O dia em que se comemora o centenário da morte de Machado de Assis, nesta segunda-feira (29), será marcado pela assinatura, na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), do decreto do presidente Lula que oficializa no País o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A cerimônia na tarde de hoje, no entanto, é apenas uma de um ano repleto de homenagens a um dos maiores autores de todos os tempos, estudado em universidades do mundo inteiro. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, duas exposições trazem ao grande público fatos curiosos e preciosidades do autor eternizado nas letras nacionais.

Acordo Ortográfico No Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista, está em cartaz a mostra "Machado de Assis: mas este capítulo não é sério". Assim como nos capítulos do romance "Memórias Póstumas de Brás Cubas", cada espaço da exposição é independente, apesar de possuirem uma relação entre si. Projeções de vídeos, documentos históricos e a cronologia de Machado são alguns dos materiais expostos na cenografia "labiríntica", inspirada no livro. O narrador da obra, inclusive, orienta o espectador lendo trechos através das caixas de som espalhadas pelo local.

Machado de Assis aos
25 anos / Reprodução

No Rio, além da exposição "Machado Vive!", na ABL, com mobiliários e pertences pessoais do autor, também é possível visitar, desde a semana passada, a mostra "Machado de Assis: cem anos de uma cartografia inacabada", na Fundação Biblioteca Nacional. Sob a curadoria do poeta Marco Lucchesi, reúne 200 itens, entre fotos, cartas, documentos manuscritos e periódicos da Biblioteca Nacional.

Foram um ano e meio de pesquisas no acervo da instituição, que, entre as relíquias, possui as primeiras edições dos livros de Machado e textos do autor nunca exibidos. "Se a biblioteca Nacional é um oceano, Machado é um continente vastíssimo. Quanto mais você se aprofunda, mais resta para saber sobre o autor, por isso é uma cartografia inacabada", explica Lucchesi.

Na abertura da exposição, foi lançado o projeto que reúne a obra completa do autor em formato digital, sistematizada em um site especial do Ministério da Educação. Vale lembrar que toda a obra de Machado de Assis é de domínio público desde 1978, quando se completaram 70 anos do falecimento do autor.

Livros como "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas" estão disponíveis por gênero dentro do site. Além das obras, há também informações sobre a vida e obra de Machado de Assis, teses e dissertações de autores contemporâneos sobre Machado, bibliografia, vídeos e uma relação de endereços na web que contêm material sobre o escritor, reunindo, no total, 243 arquivos.

Museu da Língua Portuguesa
"Machado de Assis: Mas Este Capítulo Não É Sério"
De terça a domingo, das 10h às 17h
Ingressos: R$ (grátis aos sábados)

Fundação Biblioteca Nacional
"Machado de Assis: cem anos de uma cartografia inacabada"
De segunda a sexta, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h às 15h
Entrada gratuita

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