Cenipa vai apurar decisão de pilotos em voo da TAM

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), do Comando da Aeronáutica, vai investigar se a tripulação do voo JJ 8095 (Miami-São Paulo) da TAM agiu corretamente e se poderia ter desviado da rota para evitar a turbulência que atingiu o avião e feriu passageiros na segunda-feira. Pouco antes do pouso no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, às 19h35, o avião passou por uma forte turbulência.

Redação com Agência Estado |

A ocorrência é considerada acidente aéreo porque 21 ocupantes do avião ficaram feridos. A TAM não vai se pronunciar sobre o caso até a conclusão dos trabalhos de investigação do Cenipa.

De acordo com um dos passageiros do avião, o advogado Reinaldo Piscopo, a tripulação do avião chegou a enviar um aviso sonoro para que os passageiros afivelassem os cintos de segurança, mas o alerta foi feito quase que no mesmo momento da turbulência acontecer.

"O aviso de atar os cintos foi dado alguns segundos antes do ocorrido e a aeronave entrou em situação de vôo extremamente adversa. Do meu lado um passageiro foi arremessado para o teto. Ele ficou grudado no teto, não foi nem uma cabeçada, eu pude vê-lo deitado no teto e alguns segundos depois ele foi arremessado para o chão", afirmou o passageiro.

O advogado ainda falou sobre a sensação dos passageiros e reclamou do atendimento realizado pela companhia aérea. "A sensação de todos é que o avião estava caindo. Não foi só uma queda, ele ficou sacudindo muito e nós não sabíamos o que estava acontecendo. Demorou um tempo para o comandante falar alguma coisa, eu creio que uns 10 minutos, que pareciam um ano.

No momento da turbulência, o avião passava sobre a região de Pirassununga, no interior de São Paulo. Nessa área, minutos antes do incidente, o satélite mostra nuvens carregadas na região, o que pode gerar correntes de ar e a turbulência.
Mas segundo o tenente Alexandre Emílio Spengler, do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, nem todas as correntes são detectadas pelos pilotos. "O radar detecta nuvens. Ele emite um pulso, bate na nuvem e detecta uma área mais densa. Se a turbulência estiver vinculada a uma nuvem ela aparece, mas se for em céu claro, não", explicou.
O tenente, piloto há 22 anos, afirmou também que turbulências são comuns na aviação, mas que geralmente não há consequencias graves, como o ocorrido com o voo da TAM. "Eu nunca peguei uma turbulência assim", disse. Spengler destacou ainda que o mais importante é que os passageiros fiquem sentados e com os cintos afivelados. "Às vezes a luz do cinto está acesa e tem gente que não se preocupa".
Dos 154 passageiros e tripulantes do voo, 16 passageiros e 5 funcionários da TAM ficaram feridos. Dois passageiros continuam hospitalizados. Ana Maria Lima, de 73 anos, sofreu fratura no fêmur e na coluna e será operada no Hospital Oswaldo Cruz. Francisco Celestino Garcia Júnior, de 59 anos, foi operado para a correção da fratura no fêmur no Hospital Albert Einstein.

Na terça-feira, uma menina de 7 anos que teve fraturas sentiu dores quando já estava em casa, em Ribeirão Preto, e foi encaminhada a um hospital.

AE
Passageira do voo 8095 deixa o Hospital Geral de Guarulhos


Embora a turbulência tenha sido rápida, muitos passageiros narraram momentos de pânico no avião. Vi copos, livros, jornais voando. Vi muita gente caída no chão, gritando de susto e de dor, vomitando, diz o advogado Manoel Viana Neto, de 29 anos.

O médico Paulo Ozon Monteiro da Silva, professor da Universidade Federal de São Paulo, explica que, quando sujeitas a movimentos bruscos, algumas pessoas podem sofrer distúrbio transitório da circulação sanguínea no cérebro provocando tontura e náuseas.

Turbulência

Segundo a Aeronáutica, turbulências acontecem quando há movimentos irregulares e abruptos na atmosfera, causados pelo deslocamento de pequenos redemoinhos na corrente de ar.

A turbulência atmosférica é causada por flutuações aleatórias no fluxo do vento. Ainda de acordo com a instituição, ela pode ser causada por correntes, diferenças no relevo, variação na velocidade do vento ao longo de uma zona frontal ou alterações na temperatura e pressão.

Turbulência fere 21 pessoas em voo da TAM:

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