Cenipa apresenta relatório e diz que oito fatores contribuíram para acidente da TAM

BRASÍLIA - O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) divulgou neste sábado o relatório final sobre a queda do avião da TAM e disse que oito fatores foram determinantes para a tragédia, ocorrida em julho de 2007. O relatório, no entanto, não aponta culpados.

Redação |

Segundo o chefe do Cenipa, Brigadeiro Jorge kersul Filho, cabe à investigação criminal apontar os culpados, enquanto o Cenipa se preocupa com ações preventivas para evitar novos acidentes. "Esta é a grande diferença entre a nossa investigação e a investigação criminal a quem cabe levar as pessoas que tenham culpa a julgamento, disse. Não sabemos nem vamos dizer quem são os culpados vamos dizer os fatores que contribuíram para o acidente, completou.

Kersul Filho afirmou que, após o acidente, foram emitidas 83 recomendações de segurança operacional - para o fabricante, agência de fiscalização, Cenipa e todos os envolvidos.

Segundo o presidente da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054 (AfavTAM), Dario Scott, a síntese apresentada nesta tarde mostra a seriedade da investigação feita pelo Cenipa, mas será necessária uma análise do documento para avaliar se todos os fatores, como os relacionados aos órgãos de controle, à empresa aérea a à fabricante da aeronave, AirBus, foram apontados. O relatório deve apontar todos os fatores sem ter tendência para o fator A ou B, destacou.

A investigação da Polícia Federal (PF) apontou que os pilotos foram responsáveis pelo acidente por terem errado ao manusear os manetes do avião. A partir de dados das caixas-pretas do A320, os comandantes Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco manusearam os manetes de maneira diferente da recomendada, mantendo uma das duas alavancas em posição de aceleração.

Pai de Stefanini, Rafael Di Sacco chamou o resultado da investigação da PF de canalhice. Não tem outro nome. É queima de arquivo. É fácil. Os culpados morreram e não podem falar nada, disse.

O relatório da PF nos deixou indignados porque não levou em conta a seriedade das investigações da Polícia Civil (de São Paulo) que apontou onze responsáveis, como a TAM, Infraero, Anac e a fabricante do AirBus, acrescentou Scott.

Ao todo, 78 representantes das famílias estiveram na apresentação do relatório do Cenipa. Cerca de cinqüenta foram levados a Brasília de Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP).

O acidente

Em 17 de julho de 2007, o Airbus da TAM, vindo de Porto Alegre, não conseguiu pousar no aeroporto de Congonhas, atravessou a avenida Washington Luís e se chocou contra um depósito de cargas da companhia área, pegando fogo. O acidente deixou 199 mortos, entre ocupantes do avião e pessoas que estavam no prédio atingido.

*Com informações da Agência Estado e reportagem de Sarah Barros, iG Brasília

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