Cenário para setor de mineração ainda é incerto, diz Agnelli

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O cenário mundial para o setor de mineração ainda é incerto devido aos desdobramentos da crise financeira global, afirmou na quinta-feira o presidente da Vale, Roger Agnelli.

Reuters |

Segundo o executivo, enquanto há aumento de demanda em alguns países, em outros o mercado está desaquecido. Agnelli recomendou "paciência" no primeiro trimestre, estimou que a situação irá "parar de piorar" no segundo trimestre e melhorar no segundo semestre de 2009.

"A China já está comprando um pouco mais. Em compensação, o Japão piorou um pouco. A Europa está piorando. O Brasil, caiu fortemente a demanda. Eu espero que em mais 60 ou 90 dias o Brasil comece a comprar de novo", disse o presidente da Vale a jornalistas, depois de se reunir com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em relação aos preços do minério de ferro, o executivo sublinhou que só daqui a alguns meses o mercado terá mais clareza do que vai se passar. Os negócios com minério já começam a ser retomados, explicou, mas estão em um patamar inferior ao verificado antes da crise.

"Tem um problema que todos têm que entender: não tem demanda. A demanda no mundo hoje é fraca, está muito fraca", destacou.

Para ele, não é possível concluir que a fase mais aguda da crise já foi superada.

"Não dá para dizer que o pior já passou. O primeiro ajuste acho que está feito. Depende de como vai se comportar a economia internacional, porque tem países em diferentes estágios de contaminação por essa crise", destacou.

Em linha com o discurso do governo, o presidente da Vale avaliou que o Brasil tem posição privilegiada na atual conjuntura econômica, pois os investimentos estão mantidos e o mercado interno é forte.

Agnelli assegurou que a Vale mantém o plano de investir 14 bilhões de dólares em 2009, cerca de 4 bilhões de dólares a mais do que foi investido no ano passado.

"Se a situação não tiver nenhuma reversão importante, quer dizer, uma piora importante, a vontade nossa é investir os 14 bilhões de dólares", garantiu.

Ele disse ainda que a empresa tem dinheiro em caixa para realizar esses aportes e não precisará captar no mercado tais recursos. "Financeiramente, a empresa está em uma situação muito boa."

ACORDO TRABALHISTA

Agnelli comentou também o acordo que teria sido fechado com alguns sindicatos com o objetivo de reduzir pela metade os salários dos trabalhadores em troca de manter esses empregos até 31 de maio deste ano.

"É mais uma tranqüilidade que a gente está dando para os nossos trabalhadores, de que não haverá demissões. Nós não queremos demitir", afirmou Agnelli.

A proposta foi anunciada nesta quinta-feira pela companhia e, segundo o ditetor-geral de recursos humanos e desenvolvimento organizacional da Vale, Marcos Dalposo, a expectativa é de que os acordos sejam assinados como os sindicatos nos próximos dias.

O presidente da companhia revelou, no entanto, que há 5 mil empregados em férias coletivas que voltarão em breve ao trabalho. A Vale pode dar férias a outros trabalhadores, informou.

"Não coloco isso no horizonte de curto prazo", respondeu Agnelli quando perguntado se a Vale anunciaria novas demissões. O executivo, entretanto, ponderou: "Ninguém pode garantir nada."

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