Cemitério vira lugar propício para crianças em novo romance de Neil Gaiman

MINNEAPOLIS, por Jeff Baenen ¿ Os cemitérios não assustam Neil Gaiman. Longe disso. O autor de best-sellers de horror e fábulas fantasiosas acha que tais lugares ¿são de uma paz incrível¿. ¿Adoro ir a cemitérios. Não por serem lugares assombrados, mas por terem algo de admiravelmente tranquilo. Todas aquelas lápides, com pequenas mensagens maravilhosas¿, diz Gaiman.

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Seu novo romance, intitulado The Graveyard Book (O Livro do Cemitério, em tradução literal), se passa em um cemitério, onde um garoto órfão é criado por um vampiro, um lobisomem e uma bruxa. O autor afirma que a semente da idéia foi plantada há cerca de 25 anos, quando estava morando na Inglaterra, sua terra natal, e costumava levar seu filho Michael para andar de triciclo em um cemitério na vizinhança, já que não tinha um quintal ou jardim em casa.

Neil Gaiman levou mais de 20 anos
para colocar idéia do livro em prática / AP

Veio, então, a inspiração. Gaiman pensou que podia escrever um romance parecido com O Livro das Selvas, o clássico de Rudyard Kipling sobre uma criança adotada por animais selvagens. Só que Gaiman decidiu escrever sobre a criança adotada pelos mortos, que aprende sobre todas as coisas que os mortos conhecem.

Depois de mais de duas décadas de inícios e interrupções, Gaiman finalmente concluiu sua obra no ano passado. Para promover a publicação, o escritor inicia uma turnê norte-americana nesta semana, onde irá ler cada um dos oito capítulos nas cidades escolhidas (um capítulo mais extenso será dividido em dois). O vídeo de cada leitura estará disponível, no dia seguinte, no novo site acessível para crianças do autor , onde poderá ser visto gratuitamente pelos fãs. Quando Gaiman finalizar a turnê em St. Paul, no dia 8 de outubro, ele terá lido todas as 312 páginas do livro.

The Graveyard Book é uma metáfora de vida, família e da saída de casa, diz Gaiman. O romance começa com um bebê fugindo do assassino de seus pais e da irmã mais velha. O garotinho caminha com dificuldade até um cemitério abandonado, onde é adotado por fantamas, ganha o nome de Nobody Owens (e o apelido de Bod) e recebe a Liberdade do Cemitério.

O mundo do cemitério é, essencialmente, essa gloriosa família agregada, diz Gaiman, que escolheu um cemitério inglês como cenário do livro para que Bod pudesse interagir com personagens históricos.
A vantagem de ter escolhido um cemitério inglês é que pude voltar a um passado muito, muito distante. Na América, você volta 250 anos (em um cemitério), de repente encontra alguns índios enterrados e ninguém mais antes deles, a menos que você decida fazer isso no estado de Maine ou em algum lugar assim e insira alguns vikings clandestinamente.

O escritor de 47 anos disse que demorou tanto para escrever o romance porque ia sempre adiando a idéia, tentando se tornar um escritor melhor. Nesse período, aprimorou suas habilidades na série de quadrinhos Sandman e em romances como Belas Maldições (com Terry Pratchett), O Mistério da Estrela - Stardust e American Gods.
O primeiro capítulo que escreveu ¿ Capítulo 4, A Lápide da Bruxa ¿ surgiu quando Gaiman ficou entediado durante uma temporada de férias em família. Maddy, sua filha, tinha 11 anos na época e parou de nadar para perguntar ao pai o que ele estava escrevendo. Gaiman leu o início do capítulo. Ela, então, perguntou: O que acontece depois?, e eu fui continuando a estória, Gaiman recorda.

Ele levou mais um ano para terminar os sete capítulos restantes, tentando encaixá-los entre movimentadas turnês promocionais de A Lenda de Beowulf (Gaiman escreveu o roteiro em parceria com Roger Avary, co-roteirista de Pulp Fiction) e O Mistério da Estrela - Stardust, ambos lançados em 2007.

Segundo Elise Howard, editora de Graveyard Book e vice-presidente da HarperCollins, Gaiman consegue, com facilidade, transpor os mundos da ficção adulta e infantil. Seus livros infantis incluem The Day I Swapped My Dad for Two Goldfish (1997, inédito no Brasil), Coraline (2002) e Os Lobos Dentro das Paredes (2003). Mais e mais escritores estão buscando o público infantil atualmente. O que é notável em Neil é que ele fez isso muito tempo atrás, e não por causa de uma forte tendência, disse Howard.

O filme Coraline, baseado na obra de Gaiman que conta a história de uma menina que entra em um mundo paralelo, tem lançamento previsto para fevereiro. Dakota Fanning fará a voz da protagonista. O diretor Henry Selick usa as mesmas técnicas de animação stop-motion que usou em O Estranho Mundo de Jack e James e o Pêssego Gigante.

Gaiman tem muitas expectativas em relação ao filme. Se Henri Selick pode escolher entre fazer algo superbacana, que gosta de fazer, e algo bem comercial, ele vai fazer o que realmente gosta. Isso me deixa muito feliz, disse Gaiman.

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