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Cem anos de Cartier-Bresson, o criador do termo instante decisivo

MADRI, por Belén Palanco ¿ Henri Cartier-Bresson nasceu em 22 de agosto de 1908, há exatamente 100 anos, com uma capacidade incomum para a observação que aplicou na fotografia, retratando em sua obra uma parte da história do século 20, o século da imagem.

EFE |

Ao conhecer suas fotografias, é possível aprender sobre a evolução gráfica ao longo desses cem anos. E não é só isso: educar o olhar através do estudo de sua obra se transformou em um exercício indiscutível para todo futuro fotógrafo em uma sociedade que se globaliza rapidamente, em parte, graças ao protagonismo atual da imagem na era digital e de massas.

Mas, se referir a Cartier-Bresson é fazer uma pausa em seu conceito do "instante decisivo", com o qual definiu o momento exato no qual é tirada a foto, ou seja, quando "se alinha" ¿ em palavras suas ¿ "a cabeça, o olho e o coração" para conseguir a fotografia. Segundo ele, a foto não seria a mesma um milésimo de segundo antes ou depois de soar o "clique".

Mas esta tese, que foi o título de um dos livros de Cartier-Bresson. "O Instante Decisivo" (1952), se deparou com o marasmo atual onde esse instante mágico morreu, segundo alguns teóricos. A proliferação da imagem digital não pode ser interrompida, ainda mais dentro do fotojornalismo alavancado por Cartier-Bresson, devido à grande democratização da principal ferramenta, a câmera.

Isto, por sua vez, colaborou para que o instante decisivo se tornasse cada vez seja mais irrelevante, apesar dos esforços dos mais puristas, já que a câmera digital desvinculou a cautela e a concentração do ato de fotografar.

Se a edição da fotografia foi básica na história da imprensa, paulatinamente adquiriu mais importância devido à incorporação da internet como suporte informativo, o que faz com que a aceleração dos processos de transmissão defina que a seleção da imagem fique a critério do editor ao invés do próprio fotógrafo.

E desta maneira, o "instante decisivo" passou a ser editado de um vídeo ou de uma rajada de imagens tiradas pelos fotógrafos profissionais que trabalham com a liberdade e a vantagem outorgada pela ilimitada capacidade dos sistemas digitais.

Por outro lado, desde que a foto foi incorporada ao mercado da arte contemporânea, esta mítica frase perdeu peso, porque, para alguns artistas, o uso da foto tem como finalidade registrar uma instalação ou uma "performance", ou ser híbrida de outras técnicas como a pintura. Desta maneira, o ato de congelar um "instante decisivo" ficou desvalorizado.

Além disso, se Cartier-Bresson levantasse a cabeça talvez veria que suas fotos não podem voltar a ser tiradas no Ocidente, não por falta de meios, obviamente, nem de fotógrafos, mas pelas limitações ditadas pela Justiça.

Cartier-Bresson, com a sua inseparável leica, retratou a China, Índia, México, até a Segunda Guerra Mundial - na qual se pensava que tinha morrido - e fundou, com outras lendas do negativo, em 1947, a primeira agência de fotografia, o seleto clube "Magnum".

Talvez seus retratos em preto e branco de pessoas anônimas não pudessem ser captados no Ocidente, exceto com uma permissão prévia do retratado, porque as regras sociais mudaram e isso fez com que parte da fotografia documental, só seja possível atualmente no Terceiro Mundo.

A estes dois aspectos se soma a morte lenta e silenciosa do processo fotográfico através da sensibilização com nitrato de prata, método com o qual Cartier-Bresson, entre outros, conseguiu variações de tons cinzentos em seus instantâneos que, até o momento, o processo digital só obtém em sonho.

Por isso tudo, mais do que nunca convém relembrar Henri Cartier-Bresson, em prol da qualidade do ato fotográfico em uma sociedade que supervaloriza a imagem, mas que, no entanto, apóia o "vale-tudo" enquanto dita sentenças sobre o direito à imagem.

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