Vereadores aprovam novo piso de professores, que vão manter greve

Os docentes tentaram barrar a votação, impedindo a entrada dos parlamentares

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Os vereadores de Fortaleza aprovaram sob protesto, na tarde desta terça-feira (7), o novo salário base dos professores da rede municipal de ensino. Em greve há mais de um mês, durante toda manhã a categoria tentou adiar a votação da matéria impedindo a entrada dos vereadores na Câmara Municipal. Passado o tumulto, os parlamentares se reuniram à tarde e aprovaram um valor abaixo do que querem os professores.

Daniel Aderaldo/iG
Professores de Fortaleza bloqueiam entrada da Câmara Municipal
Cerca de 300 professores bloquearam as três entradas da Câmara Municipal. Os professores queriam impedir a votação da matéria sobre o piso salarial com o qual a categoria não concorda. Diante do número insuficiente de vereadores, a votação não aconteceu pela manhã, como estava previsto. No início da tarde, convencidos de que não haveria mais sessão plenária, parte dos grevistas se dissipou. A Guarda Municipal interveio e conseguiu afastar o restante dos manifestantes. Com isso, os vereadores entraram no plenário. Às 15h30 a sessão foi reaberta e a nova remuneração foi aprovada.

O vereador João Alfredo (PSOL) se disse “envergonhado com a manobra” e que a votação foi uma “farsa”. Para ele, o modo como transcorreu a votação fere o regimento interno da Casa. Segundo o vereador de oposição, a sessão extraordinária teria que acontecer pela manhã e com o conhecimento de todos os parlamentares, o que, segundo João Alfredo, não aconteceu. De acordo com o presidente da Câmara, vereador Acrísio Sena (PT), o novo regimento em vigor a partir da atual legislatura permite a “liberdade da Câmara de fazer votação com o mínimo de quórum, independente do horário”.

Confusão

A confusão começou por volta das 9 horas quando os professores em greve tentaram entrar no plenário para acompanhar a sessão, mas foram impedidos pela Guarda Municipal, sob alegação de que não havia mais espaço nas galerias. Contrariados, os manifestantes resolveram barrar a entrada dos vereadores. No tumulto, os guardas agrediram alguns professores com spray de pimenta. Os professores responderam jogando pedras. Alguns chegaram a passar mal e precisaram de atendimento médico.

A matéria aprovada define o valor de R$ 1.187,97 como salário base para professores de nível médio e R$ 1.439,03 para professores com graduação. Além disso, 1/5 da jornada de 40 horas semanais vai ser dedicado a atividades fora da sala de aula.

"Piso Pirata"

Os professores dizem que a mensagem apresenta um “piso pirata”. Segunda a secretária-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação do Ceará (Sindiute), Ana Cristina Guilherme, o texto da mensagem retira a gratificação de regência de classe e inclui no salário para dar a "falsa impressão" de aumento. “Mas, na verdade, ela tira o que nós já tínhamos. Com todos os descontos, nós vamos ganhar menos do que antes”, explicou.

Greve continua

A greve dos professores da rede municipal de Fortaleza já dura mais de um mês e os 230 mil alunos matriculados nas 420 escolas da rede municipal de Fortaleza ainda não tiveram aulas do ano letivo de 2011. A paralisação teve início no fim de abril, quando terminou o calendário escolar de 2010. A organização do movimento diz que a greve vai continuar e que haverá novos protestos na Câmara Municipal.

Prefeita faz apelo

Na última segunda-feira (6), a prefeita Luizianne Lins fez um apelo para que os professores encerrem a greve e deu a entender que a administração municipal não irá atender às reivindicações da categoria, por não dispor de recursos suficientes. “A gente espera avançar na negociação, mas também garantindo que não estamos fora da lei e isso que está sendo colocado na Câmara, no projeto de lei, ele resolve definitivamente esse problema”, declarou.

    Leia tudo sobre: escolaFortalezaCearáeducação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG