Trabalhadores protestam contra cisternas de plástico no Dia Mundial da Água

Eles alegam que a tecnologia custa mais e tem menor resistência em relação à antiga; a distribuição é feita pelo Ministério da Integração

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Em torno de 1,7 mil trabalhadores rurais realizaram um protesto nesta quinta-feira (22), em Fortaleza, contra a instalação de reservatórios de água feitos de polietileno. Eles alegam que a nova tecnologia custa mais e tem menor resistência em relação à antiga, feita de cimento, e já popularizada no sertão nordestino.

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Cada cisterna de polietileno custa R$5.090,00. O dobro da cisterna de placa de cimento, que sai por aproximadamente R$ 2.200,00. A distribuição dos reservatórios é coordenada pelo Ministério da Integração Nacional como parte do Programa Água para Todos, que integra o Plano Brasil Sem Miséria.

Divulgação/ Codevasf
Primeira cisterna de plástico entregue

A cisterna é um tanque bastante utilizado no Nordeste por famílias que vivem na zona rural e não são beneficiadas pela rede de abastecimento de água. Os reservatórios têm capacidade para armazenar 16 mil litros e são abastecidos com a água da chuva. Se usada apenas para consumo humano – para beber e cozinhar – essa quantia é suficiente para abastecer uma família por até seis meses.

A meta do governo federal é instalar 300 mil dessas cisternas de plástico em todo Nordeste até 2014. O governo do Ceará acaba de assinar um convênio para que o Estado receba 14 mil desses reservatórios. O que preocupa os moradores da zona rural que aguardam o benefício é o fato de algumas dessas cisternas instaladas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) no interior do Ceará já terem apresentado problemas.

Recentemente, a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) – uma associação de 750 organizações que atuam no Nordeste – divulgou imagens de cisternas de plástico instaladas no município de Cedro (a 428 quilômetros de Fortaleza) que só resistiram por três meses. Elas apresentaram deformações e não puderam mais ser utilizadas pelas famílias.

Os manifestantes percorreram uma das principais avenidas de Fortaleza e se concentraram em frente à Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA), que será responsável pela instalação das cisternas de plástico. Representantes do movimento foram recebidos pelo titular da pasta, Nelson Martins.

Contudo, a SDA informou que, apesar da resistência, não irá desistir das cisternas de plástico. A técnica da SDA responsável pela coordenação do projeto, Mércia Cristina Sales, afirmou que a tecnologia já é aplicada com sucesso em outros países como Méximo, Israel e Canadá.

Em nota, o Ministério da Integração Nacional informou ao iG que as cisternas polietileno possuem garantia de fábrica e, em caso de defeito de fabricação, serão substituídas. Além disso, o governo pretende instalar também 450 mil cisternas de placa de cimento, que utilizam a mão de obra de operários locais.

Indústria da seca

Para a instalação das 300 mil cisternas de plástico, o governo federal irá investir R$ 1,5 bilhão. Segunda a ASA – principal crítica da nova tecnologia – esse valor corresponde a mais que o dobro empregado pela associação para construir 371 mil cisternas de placas.

O iG apurou que por trás da polêmica existe também interesses de associações, comerciantes e operários que se especializaram na construção dos reservatórios feitos com cimento. Segundo o Ministério da Integração, a fabricação das cisternas de polietileno está sendo feita por cinco fábricas instaladas nos municípios de Petrolina (PE), Penedo (AL), Teresina (PI) e Montes Claros (MG). O governo federal investiu R$19 milhões na implantação dessas fábricas.

De acordo com o Ministério da Integração, os tanques polietileno não comprometem a qualidade para a água armazenada e são impermeáveis.

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