Professores desafiam prefeitura e Justiça e dizem que vão manter greve

Docentes protestaram nesta 5ª em Fortaleza. Decisão manda que eles voltem ao trabalho até amanhã. Multa é de R$ 10 mil por dia

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Os professores da rede municipal de educação de Fortaleza decidiram manter a greve que já dura quase dois meses . Na última quarta-feira (15), a Justiça do Ceará decretou a ilegalidade do movimento , argumentando que a paralisação prejudicava a alimentação das crianças. Na manhã desta quinta-feira (16), os professores responderam que não são merendeiros e avisaram que a greve continua. Se eles mantiverem a decisão, o sindicato está sujeitos a multa diária de R$ 10 mil.

Daniel Aderaldo/iG
Professores protestam contra a Justiça, que decretou a greve ilegal
Leia também: Greve dos professores de Fortaleza é ilegal, decide Justiça

Cerca de 400 professores realizaram uma manifestação na avenida Desembargador Moreira, no bairro Dionísio Torres – onde está localizada a maior parte dos veículos de comunicação de Fortaleza – e foram em direção à sede das secretarias municipais de Administração e Educação. Os professores reivindicam melhores salários e um terço da jornada de trabalho dedicado a atividades fora da sala de aula.

A dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), Gardênia Baima, informou que ainda não recebeu a notificação oficial do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que decretou ontem a ilegalidade da greve e a classificou como abusiva. O desembargador responsável pela decisão deu 48 horas para os professores terminarem a greve.

O desembargador Teodoro Silva Santos argumentou que o movimento afeta o desenvolvimento intelectual e a alimentação de milhares de estudantes. Em resposta, os professores disseram que não cabe a eles alimentar os alunos, e sim ensiná-los. Segundo a categoria, isso não está sendo permitido  pela prefeitura, dada as condições de trabalho. “Não somos as merendeiras das escolas. Nós temos uma ação pedagógica, que requer planejamento, algo que a prefeitura está negando aos professores”, ponderou Gardênia Baima.

A greve da categoria teve início no fim de mês de abril, quando o calendário escolar de 2010 foi concluído. Segundo a direção do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação do Ceará (Sindiute), 96% dos professores aderiram a greve, afetando os 230 mil alunos matriculados nas 420 escolas da rede municipal.

Suspensão do 13º salário

Além do decreto de ilegalidade da greve, na última quarta-feira a queda de braço entre a Prefeitura de Fortaleza e os professores em greve teve um novo capítulo, com a suspensão do adiantamento do pagamento da primeira parcela do 13º salário dos professores . O adiantamento de 40% dos professores grevistas, que seria pago neste semestre, só será depositado quando os docentes voltarem às salas de aula.

O Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort) ingressou com uma ação na Quarta Vara da Fazenda Pública contra a Prefeitura de Fortaleza para que a primeira parcela do 13ª salário dos professores seja paga. O sindicato afirma que a medida é ilegal.

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