Prefeita de Fortaleza enfrenta onda de protestos

Luizianne Lins foi alvo nesta sexta de um protesto em frente à prefeitura. Críticas à sua gestão têm crescido nos últimos meses

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Cerca de 300 manifestantes realizaram um ato contra a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), no início da tarde desta sexta, em frente ao Paço Municipal, sede do Executivo, no centro da capital cearense. O movimento intitulado “Fora Luizianne Lins”, articulado na rede social Facebook, pede que a prefeita deixe o cargo. A petista passou toda a manhã visitando obras na cidade e ignorou a movimentação.

Os manifestantes levaram um bolo e cantaram “Parabéns Para Você” celebrando 1º de abril, em alusão ao conhecido Dia da Mentira. “Viemos à sede da prefeitura para agradecer a nossa prefeita por tudo que está sendo feito. Quer dizer, tudo que não está sendo feito na cidade e cantar os parabéns, pois é primeiro de abril”, disse o empresário Tarsis Rocha, de 28 anos, um dos idealizadores do protesto.

Apesar baixa adesão, o movimento não é isolado. Há uma onda de descontentamento na cidade. Diversos protestos de rua cobram da prefeitura a recuperação da malha viária da cidade, que está esburacada. A situação piorou com o início das chuvas em fevereiro. Soma-se a isso a insatisfação dos fortalezenses com o atraso na entrega de obras como a construção do Hospital da Mulher, dos Centros Urbanos de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca) – duas promessas da campanha da primeira eleição – do Jardim Japonês na avenida Beira-Mar e do estádio Presidente Vargas (PV).

A última manifestação em frente à sede da prefeitura aconteceu há quatro meses. Em dezembro do ano passado, cerca de 300 moradores dos bairros Jangurussu e Ancuri – dois dos bairros mais pobres da periferia de Fortaleza – estiveram concentrados em frente ao paço reclamando da falta de professores, de problemas nas escolas e da carência de vagas.

Outros protestos espalhados pela capital já aconteceram este ano. Em fevereiro foram dois. Professores da rede municipal de ensino reivindicaram a equiparação de salário ao piso nacional da categoria em frente à Secretaria de Educação da Prefeitura de Fortaleza. No outro, estudantes protestaram na Praça da Bandeira, no centro, contra o aumento da tarifa de ônibus, que em março foi elevada de R$ 1,80 para R$ 2,00.

O ato de hoje não tinha reivindicações específicas. A ação coincidiu com a contraofensiva que Luizianne estreou ontem em resposta a seus opositores. Ela iniciou uma série de visitas aos canteiros de obras da Prefeitura acompanhada de secretários e assessores. Nesta manhã, a chefe do executivo municipal deu procedimento às caminhadas pela cidade, frustrando os manifestantes que esperavam encontrá-la na sede do Poder Executivo.

Enquanto averiguava o andamento das obras do túnel da avenida Humberto Monte, parte do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor), a prefeita foi irônica ao tratar do movimento. A petista disse que queria estar no Paço Municipal para ver os manifestantes chegarem em "carros fretados por vereadores". Reeleita em 2008 no primeiro turno, a prefeita já afirmou algumas vezes para a imprensa que é vítima de “ataques covardes” na internet que seriam de autoria da “direita”. Os manifestantes, contudo, diziam-se apartidários e negaram qualquer motivação política.

O protesto durou mais de duas horas. A única resposta recebida pelos manifestantes veio de um assessor, que propôs receber uma comissão de seis pessoas que participavam do ato, mas os organizadores recusaram. “Não queremos mais ouvir as mesmas mentiras”, justificou Tarsis Rocha.

Tarsis disse que o movimento cumpriu o objetivo de chamar atenção da administração municipal. “Fomos escutados. Isso aqui foi só o começo”. A adesão, porém, não alcançou as expectativas. Ontem, o perfil na rede social Facebook “Fora Luizianne Lins” Ontem, o perfil na rede social Facebook “Fora Luizianne Lins” dava conta de 6.440 pessoas esperadas para a mobilização.

A assessoria de comunicação da prefeitura esclareceu que não chegou ao gabinete qualquer comunicado oficial sobre a manifestação e que os organizadores do ato não tinham pauta definida para que as reivindicações fossem levadas à frente.

Uma pesquisa de opinião pública divulgada pelo Datafolha em dezembro de 2010 mostrou que 50% dos fortalezenses avaliam a administração de Luizianne Lins como ruim ou péssima. Das oito capitais pesquisadas, ela ficou em último lugar. Consideram uma gestão regular 27%, e apenas 22%, ótima ou boa. A nota média atribuída foi de 4,4 (em escala de zero a 10) - menor nota desde o primeiro levantamento, realizado em novembro de 2007.

Humor na mobilização

Também foram distribuídos adesivos para os transeuntes e motoristas que passavam em frente ao Paço com os dizeres “Fora Luizianne” e “Fortaleza Peba”, uma paródia do slogan da gestão “Fortaleza Bela”. Peba, no Ceará, é uma forma jocosa de se referir a algo ruim. Mas também é um tipo de tatu - animal que constrói tocas escavando buracos.

O bolo para a festa do Dia da Mentira custou R$ 150. Segundo Tarsis, foi organizada uma cota para comprá-lo. O bolo saiu a preço de custo, pois, de acordo com ele, o confeiteiro também não aprova a administração da prefeita.

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