Policial que deixou turista paraplégico vai cumprir pena em casa

PMs perseguiam ladrões que tinham roubado caixa eletrônico, confundiram os carros e dispararam 22 vezes contra veículo errado

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A Justiça do Ceará condenou a três anos e seis meses de reclusão, em regime aberto, um dos oito policiais militares acusados de tentativa de homicídio contra um turista espanhol em Fortaleza em 2007. A polícia procurava por assaltantes que tinham assaltado um caixa eletrônico. Por engano, atirou várias vezes contra o veículo dirigido por Marcelino Ruiz Campelo. Ele foi atingido e ficou paraplégico.

A promotora de Justiça Alice Iracema Melo Aragão considerou a pena branda diante do fato. Ela argumentou que o resultado do julgamento vai contra as provas dos autos e disse que irá recorrer da decisão do Conselho de Sentença.

Campelo voltava com a esposa, a também espanhola Maria del Mar Santiago Almudever, do Aeroporto Internacional Pinto Martins quando aconteceu a ação policial desastrosa. Eles foram receber o italiano Innocenzo Brancati e sua mulher, a brasileira Denise Sales Campos Brancati. Na volta do aeroporto, os policiais atiraram contra a caminhonete que o italiano guiava. Dos vários disparos efetuados com pistolas e uma metralhadora, 22 tiros atingiram o veículo.

O italiano foi atingido no braço e o espanhol, no ombro esquerdo. A bala se instalou na coluna e o deixou paraplégico. Segundo a promotoria, os disparos só cessaram quando a brasileira saiu do automóvel para demonstrar que eles não eram os assaltantes que a polícia procurava.

Apesar de o veículo suspeito ser de um modelo diferente, os policiais confundiram a caminhonete modelo Hilux com a Chevrolet S-10 usada para transportar o caixa eletrônico.

Os jurados não reconheceram a coautoria de tentativa de homicídio em relação às outras vítimas. Outros dois policiais envolvidos na ação que também iriam a júri tiveram o julgamento adiado. O advogado de defesa José Campos Accioly Júnior não compareceu e justificou a ausência com um atestado médico.

Outro caso

Em 2010, uma morte decorrente de uma ação policial equivocada causou comoção entre a população de Fortaleza. Bruce Cristian de Souza Oliveira , foi morto, aos 14 anos, com um tiro na nuca quando trafegava na garupa da moto do pai na avenida Desembargador Moreira, uma das principais vias de Fortaleza, no bairro Dionísio Torres, área nobre da capital.

O ex-PM Yuri Silveira acertou a cabeça da vítima, alegando que pai e filho seriam suspeitos. Era domingo e Bruce saiu para trabalhar junto com o pai, técnico em refrigeração, Francisco das Chagas de Oliveira Souza. Em julho, quando o crime completou um ano, o iG mostrou que falta apenas o depoimento do ex-secretário de Segurança do Ceará, Roberto Monteiro, para que o processo chegue à fase final e que o ex-policial vá a júri popular.

    Leia tudo sobre: fortalezapolícia militarturistas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG