Policiais recorrem contra decisão que declarou greve ilegal

Agentes estão parados desde sábado e exigem, entre outros itens, aumento salarial de 60%

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Os policiais civis em greve no Ceará há cinco dias ingressaram com recurso nesta quinta-feira (7) contra decisão judicial que decretou a ilegalidade do movimento. O Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpoci) alega que esse tipo de deliberação cabe apenas ao Tribunal de Justiça.A greve começou no sábado (2).

Leia também: Justiça decreta que greve dos policiais civis do Ceará é ilegal

O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Paulo de Tarso Nogueira Pires, decretou a ilegalidade da greve na última terça-feira (6). O magistrado tomou como base o argumento do governo do Ceará de que não teve conhecimento da causa do movimento e, por isso, não conseguiu negociar. A reivindicação do reajuste do salário-base para o equivalente a 60% do que recebem os delegados não teria sido apresentada.

Daniel Aderaldo/iG
Delegacia lotada em Fortaleza por conta da greve dos policiais civis do Ceará
A categoria recorreu alegando que a decisão sobre a legalidade da greve só pode ser tomada pelo pleno do Tribunal de Justiça. Apesar do recurso, o comando de greve foi notificado e tem 48 horas para retornar às atividades, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. “Nós acreditamos que essa decisão não foi válida, por isso não pretendemos acatá-la”, disse a presidente do Sinpoci, Inês Romero.

Os grevistas argumentam que só podem terminar a greve se isso for decidido em uma assembleia geral, que está marcada para a próxima segunda-feira (11). Até lá, a greve continua. “Não posso chegar e dizer que vai parar a greve, mesmo o juiz dizendo. Tem que colocar para a categoria”, ponderou Romero.

Os policiais reivindicam a remoção dos presos das celas das delegacias, reajuste salarial, melhores condições de trabalho, concurso público e convocação de aprovados no último concurso. O salário-base da categoria é de R$ 2,1 mil. O Ceará conta com 1,8 mil policias civis entre escrivães, inspetores e peritos. Para se ter uma ideia, Pernambuco, com população semelhante ao Ceará, conta com sete mil.

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