Militantes cortam luz para impedir votação sobre prefeito preso

Aliados de Antônio Teixeira de Oliveira (PT), prefeito de Senador Pompeu, no Ceará, tentaram impedir formação de comissão que vai analisar impeachment de político

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A Câmara de Senador Pompeu, no Ceará, decidiu criar uma comissão processante para definir o destino político do prefeito afastado Antônio Teixeira de Oliveira (PT). Ele está preso e pode sofrer processo de impeachment.

A sessão plenária de terça-feira (16) da Câmara Municipal de Senador Pompeu (a 270 quilômetros de Fortaleza) que decidiu pela constituição de uma comissão processante para definir o destino do mandato do prefeito afastado Antônio Teixeira de Oliveira (PT) foi marcada por tumulto. Militantes ligados ao prefeito petista tentaram impedir a votação desligando a energia elétrica do prédio. A polícia foi chamada e os vereadores votaram a favor da formação de uma comissão processante.

O presidente da Câmara de Senador Pompeu, vereador Chico Pinheiro (PT), precisou pedir apoio a polícia para impedir a entrada da população no plenário. Na última sessão, uma multidão provocou confusão e a votação sobre a cassação do prefeito afastado acabou sendo adiada. Desta vez, poucas pessoas puderam acompanhar a sessão de perto. Os que ficaram de fora tentaram sabotar a votação, provocando um “blackout”, que durou pouco.

Luz reestabelecida, a comissão processante foi aprovada com seis votos a favor e duas abstenções. O vereador Luzimar Siqueira (PSB) foi nomeado presidente do colegiado e a vereadora Joselene Bezerra (PSD), a relatora. Entre os membros da comissão está o vereador José Linhares Filho (PT), correligionário do prefeito Antônio Teixeira.

Prefeito preso

O prefeito teve prisão decretada pela Justiça e chegou a ficar foragido da polícia por oito dias antes de se entregar no dia 29 de junho. Desde então, ele está preso em uma sala improvisada na sede do Corpo de Bombeiros da capital cearense. Isso porque faltam celas especiais adequadas no Ceará, segundo o advogado Hélio Leitão.

De acordo com as investigações do Ministério Público Federal do Ceará, em 2008, Antônio Teixeira teria desviado recursos públicos, feito pagamentos indevidos e emitido cheques para pagamentos de empresas que forneciam notas fiscais frias. Para esconder as fraudes, o prefeito constituiu uma comissão com a suposta finalidade de apurar irregularidades cometidas por servidores municipais. Mas, em vez disso, a comissão produziu provas que deveriam inocentá-lo.

Na época, o PT montou uma comissão de sindicância para apurar as denúncias contra o membro do partido. A comissão tinha até 6 de julho para apresentar um parecer sobre a situação e optar ou não pela expulsão, mas até agora nada foi decidido.

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