Líder da greve de PMs mira eleições e prefeitura de Fortaleza

O capitão Wagner Sousa esteve à frente da paralisação que levou caos ao Estado, mas aumentou salário de policiais

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O suplente de deputado estadual capitão Wagner Sousa (PR), de 32 anos, assumiu uma das 46 cadeiras da Assembleia Legislativa do Ceará em setembro do ano passado após sua correligionária Fernanda Pessoa se licenciar. Com quatro meses para mostrar serviço aos 28.818 eleitores, Sousa tratou de gastar a garganta pela causa que defendeu na campanha: segurança pública. Tanto fez que acabou levando os policiais militares do Ceará a uma greve e hoje é sondado para concorrer à prefeitura de Fortaleza.

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Divulgação
O deputado estadual capitão Wagner Sousa (PR), de 32 anos
“Não tem nada certo ainda”, esquiva ele ao ser questionado pelo iG sobre a pré-candidatura que vem sendo especulada. Em compensação, quando perguntado qual seria a plataforma de sua campanha – já que a da segurança pública não caberia para eleições municipais como foi em 2010 – responde prontamente: “A gente não está restrito a segurança. Já temos projetos para a área de educação”.

Trajetória

Há 13 anos na PM, sem nunca antes ter postulado qualquer cargo eletivo, Sousa diz que foi convencido por seus colegas de PM a concorrer a deputado estadual em abril de 2010. “Nunca aceitei os abusos cometidos pela corporação e sempre bati de frente”, conta. Na visão dele, o que para seus superiores significava insubordinação ou indisciplina, para os praças e oficiais intermediários era liderança. Antes de se tornar parlamentar, essa sua postura o levou a ser removido quatro vezes em três anos. “Eram postos de serviços inadequados. Resolvi brigar”, afirma lembrando sua condição de oficial formado pela Academia Militar.

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Sousa relata que fez uma campanha com pequenas doações e no “boca a boca”. “Eu ia de quartel em quartel. Chegava a um e o colega doava dinheiro da gasolina para chegar ao próximo”. E assim foi eleito primeiro suplente de Fernanda Pessoa, filha do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa que, por sua vez, é aliado do ex-governador e presidente do PR cearense, Lúcio Alcântara – os dois são os maiores desafetos do governador Cid Gomes (PSB) no Ceará.

Na Tribuna da Assembleia, os discursos sobre a insatisfação das tropas da PM em relação à carga horária e aos soldos não eram propriamente uma novidade. Desde o primeiro mandato de Cid, sozinho, o deputado Heitor Férrer (PDT) batia nessa tecla. Com pronunciamentos, projetos e requerimentos, Sousa também não conseguiu grande resultado.

AE
Viaturas com pneus vazios nos arredores do quartel da 6ª Companhia do 5º Batalhão, no bairro Antonio Bezerra, em Fortaleza, durante a última terça-feira: caos na capital
A greve

O estopim que levou à greve e à consequente derrota sofrida por Cid foi uma manifestação que o capitão comandou durante uma visita do governador às obras do metrô de Fortaleza. Houve tumulto, Cid discutiu com policias e saiu do local dirigindo o próprio carro, após alguns de seus seguranças entrarem em conflito com os manifestantes.

Sousa passou a ser alvo de críticas na Assembleia por conta do episódio e daí a estourar a greve bastou o silêncio do governo, que só negociou com a categoria após a paralisação.

Agora, o jovem e ainda inexperiente político deve ganhar um fôlego e ter sua permanência da Assembleia prorrogada. “Vai depender de uns acordos”.

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