Justiça quer fechar barracas de Fortaleza aprovadas por moradores

Justiça decidiu que as barracas da Praia do Futuro ocupam irregularmente o espaço público

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A população de Fortaleza aprova a permanência das barracas instaladas ao longo da orla da Praia do Futuro. Ao menos é o que aponta o resultado preliminar da pesquisa "Imagem das barracas da Praia do Futuro em Fortaleza" feita pelo Instituto de Pesquisas Américo Barreira, da Câmara Municipal de Fortaleza (CMF). A consulta mostra que a população da cidade é contrária à decisão judicial de demolir os 126 estabelecimentos existentes na faixa litorânea. A Câmara Municipal só vai revelar os dados completos em abril.

Tiago Mendes/iG
Uma das "barracas" da Praia do Futuro, em Fortaleza: elas evoluíram e se tornaram complexos de lazer à beira mar

Concluída no domingo (20/03), a pesquisa realizada nos terminais de ônibus, praças da capital cearense, e nas próprias barracas aponta para quase uma unanimidade entre os dois mil entrevistados. O questionário foi aplicado por 20 pesquisadoras e englobou questões referentes às vantagens e desvantagens da estrutura da Praia do Futuro.

Em 2010, a Justiça Federal do Ceará determinou a desocupação e demolição das barracas da praia, que é um dos pontos mais procurados por fortalezenses e turistas para o lazer. A decisão proferida em outubro de 2010 pelo juiz José Vidal Silva Neto, da 4ª Vara Federal, atende a uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal (MPF), pela União e Prefeitura  Municipal de Fortaleza (PMF) contra os proprietários de estabelecimentos comerciais instalados nesse trecho do litoral cearense. Um dos motivos para a retirada das barracas é que elas ocupam irregularmente um espaço público.

Durante a baixa estação, que começa em março e vai até o começo do verão, em média, por semana, passam 150 mil pessoas pela praia. A maioria é atraída pelas estruturas que compõem as barracas que, apesar de serem chamadas assim, são verdadeiros complexos. Algumas possuem piscinas, lagos artificiais, tendas, parques aquáticos, muros, cercas e cordas isolando áreas.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Emprego e Renda da CMF, vereador Gelson Ferraz (PRB), que acompanhou a execução da pesquisa, chama a atenção para a necessidade de haver um ordenamento no uso do espaço público. O pesquisado tinha três opções para marcar: retirada total, não retirada e reordenamento. Quem escolheu a última alternativa podia dar sugestões sobre a forma de organizar as barracas.

A presidente da Associação dos Empresários da Praia do Futuro, Fátima Queiroz, afirma que os barraqueiros não se opõem as mudanças. De acordo com ela, cerca de 90% deles são favoráveis a disciplinar os empreendimentos. Como estão hoje, alguns dificultam ou até impedem o uso público das praias. O resultado final da pesquisa será divulgado pelo Instituto de Pesquisas Américo Barreira no dia 4 de abril.

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