Imagens mostram presos usando celulares e drogas no Ceará

As fotos também revelam a situação precária do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira I, em Fortaleza

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Divulgação
Preso em Fortaleza fala ao celular
O deputado cearense Capitão Wagner (PR) divulgou nesta quinta-feira (24) imagens em que aparecem presos utilizando celulares e consumindo drogas dentro do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira I (IPPOO I), localizado no bairro Itaperi, em Fortaleza. Os detentos parecem notar que estavam sendo fotografados. Alguns fazem poses e outros tentam esconder os rostos.

 Em duas dessas fotos, quatro presos acendem e consomem um cigarro de maconha. Em várias outras, quatro detentos utilizam celulares ao ar livre, sem que sejam interrompidos.

 As imagens também revelam a situação precária das instalações do presídio de 34 anos – que inclusive já foi impedido pela Justiça de receber novos detentos. Os prédios estão com o reboco caindo, tomados por infiltrações e em péssimas condições higiênicas. Em meio ao lixo e ao mato, os presos descansam em colchões no chão.

Pelo ângulo, as fotografias parecem ter sido feitas das guaritas de segurança onde ficam os policiais militares que vigiam os presos, no alto dos muros que cercam o presídio. Contudo, o deputado não revelou quem é o autor das fotografias e dos vídeos divulgados.

  1. nullAtualmente, 592 homens cumprem pena no IPPOO I. A Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus) tem conhecimento do que acontece no interior do presídio e combate as irregularidades com constantes vistorias. Na última, realizada na semana passada, 65 policiais militares e agentes penitenciários apreenderam quatro revólveres 38, 12 pedras de crack, 50g de cocaína, 64 carregadores e 53 chips e 54 baterias de celulares de celulares, além de balanças artesanais, bebida alcoólica, munição e psicotrópicos.

Embora haja um esforço por parte do governo do Ceará em apreender drogas, celulares e armas no presídio, a estrutura frágil do presídio acaba facilitando a entrada de mais material ilegal. Cada escala de plantão só conta com oito policiais militares para fazer a vigilância da unidade. Assim como acontece com os presos, esses policiais não têm um local adequado para realizarem suas refeições nem para o descanso e os banheiros estão em estado ruim. Somam-se a isso as armas e os coletes defasados.

“Tudo isso facilita entrada de drogas e armas por cima de muros e por outros meios que todos conhecemos. Os policiais estão sendo colocados em risco e há perigos para a população”, alertou o deputado. Ele informou que irá encaminhar o material para o Ministério Público do Estado para que o governo do Ceará siga a recomendação de desativar a unidade prisional.

A superlotação das carceragens no Ceará levaram a Justiça a tomar uma decisão polêmica mandando 200 presos réus primários do regime semiaberto para casa, não importando o que crime que cometeram. Outro caso que causou comoção no Estado foi o da garota de 18 anos que passou sete dias acorrentada na cozinha de uma delegacia do interior por não haver vaga para ela no Estado.

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Por nota, a Sejus disse reconhecer a situação física do IPPOO I e informou estar trabalhando em “algumas soluções para “a emergencial situação”. O texto cita a adoção de tornozeleiras e o projeto de uma unidade de semiaberto “para a total desativação” do presídio.

O IPPOO I foi construído em 1976. Em 2006 o presídio foi interditado, mas foi reaberto em 2009 para abrigar presos do regime semiaberto, com a desativação da Colônia Agrícola do Amanari. Contudo, na época, as instalações não receberam nenhuma reforma e estão entre as piores do Estado.

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