Homem vai a Justiça contra fama de "campeão do mau humor"

Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", conseguiu que cordelistas deixassem de usar seu nome nos livros

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Divulgação
Um dos cordéis sobre Seu Lunga
Joaquim Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", vem tentando há muito tempo pôr fim à fama de homem mais bruto do mundo, construída ao longo dos seus 83 anos de vida com sua política de tolerância zero. Na última terça-feira (10), ele venceu a primeira batalha. A justiça cearense proibiu um cordelista de usar o nome de Seu Lunga em suas histórias.

Seu Lunga ganhou fama em Juazeiro do Norte, município do Cariri cearense, por sua falta de paciência para perguntas cujas respostas são óbvias. Toda sorte de frases e atos grosseiros passaram a ser atribuídos ao comerciante, fazendo com que seu temperamento de homem simples do interior fosse confundido com falta de educação.

As peripécias contadas pelo cordelista Abraão Bezerra Batista em “As histórias de Seu Lunga, o homem mais zangado do mundo” foram a gota d’água. Seu Lunga recorreu à justiça e conseguiu impedir o uso da expressão “Seu Lunga” em publicações ou qualquer outra forma de divulgação.

No processo, o comerciante se queixa que teve a dignidade ferida, pois o cordelista fantasiou situações jamais protagonizadas por ele, contribuindo para consolidar a imagem negativa de “grosseirão dotado de incomum rudez”.

O cordelista afirmou, contudo, que publicou dois volumes referentes ao “Seu Lunga”, apenas “dando eco a inúmeras histórias jocosas sobre o personagem”. O cordel em questão não é o único publicado sobre o assunto. Longe disso, existem dezenas de livretos semelhantes com títulos como “Campeão do mau-humor”, “Para cada pergunta besta Seu Lunga tem a resposta”, “O rei do mau-humor” e “As ignorâncias de Seu Lunga”, por exemplo.

Diversos causos são atribuídos a ele. A autenticidade dos fatos quase nunca é comprovada. Mesmo assim, a fama do personagem correu o mundo. Quem vai a Juazeiro do Norte, além de visitar a estátua de Padre Cícero, precisa trocar dois dedos de prosa no comércio onde esse homem de poucas, mas duras palavras, trabalha até hoje, no centro da cidade. Com a reportagem, por exemplo, ele não quis muita conversa. 

    Leia tudo sobre: Seu LungaJuazeiro do NorteCearácordel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG