Greve de operários da construção civil para centro de Fortaleza

Impasse sobre reajuste salarial motivou paralisação dos funcionários

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Cerca de mil operários da construção civil interditaram na manhã desta segunda-feira (18) duas das principais avenidas de Fortaleza. A manifestação chegou a gerar tumulto, mas não houve feridos nem prisões.

Em greve desde a última quarta-feira (13), os trabalhadores já realizaram manifestações em diversos canteiros de obras da capital cearense, inclusive no novo centro de eventos, que está sendo construído pelo governo do Estado.

Divulgação
Trabalhadores protestam em Fortaleza: operários da construção civil pararam as principais vias da cidade

 O Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE) comunicou por nota que solicitou proteção policial ao Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSPDS) "para a garantir a integridade física e material de empreendimentos, operários e até mesmo da população que mora ou transita próximo de canteiros de obras".

O Sinduscon-CE disse que a atitude se deve "aos danos ao patrimônio público e privado e agressões aos próprios trabalhadores, à imprensa e a terceiros".

O protesto da manhã de hoje reuniu mais de mil trabalhadores na Praça Portugal, no bairro Aldeota, área nobre da cidade, e na avenida Washington Soares, via de trânsito intenso e com vários empreendimentos em construção.

O tumulto aconteceu na Praça Portugal. De acordo com o Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), ninguém foi preso. A manifestação seguiu pacífica até o início da tarde.

Na avenida Washington Soares, o trânsito no local precisou ser interditado e desviado, o que provocou engarrafamento na área.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza e Região Metropolitana (STICCRMF) quer reajuste salarial de 20%, mas o Sinduscon-CE oferece 7,43%. A data-base da categoria foi em março, desde então iniciou-se uma série de manifestações.

Segundo o assessor político do STICCRMF, Valdir Pereira, houve adesão de 100% dos trabalhadores dos 180 canteiros visitados hoje. De acordo com ele, atualmente existem 534 obras da construção civil em curso na capital cearense.

A greve é por tempo indeterminado. Valdir Pereira informou que a paralisação segue e as manifestações continuarão pelo menos até a próxima quarta-feira (20), para quando está marcada uma reunião com representantes do Sinduscon. “O sindicato patronal tem uma posição semelhante a quando o setor estava em crise. Hoje está em pleno crescimento e não há uma distribuição justa para os trabalhadores”, avaliou.

Além do reajuste de 20%, os trabalhadores reivindicam cesta-básica, plano de saúde, jornada de 40 horas, dia do trabalhador da construção civil e auxílio-creche

"O Sinduscon-CE entende que os atos de vandalismo em nada contribuem para um entendimento entre as partes, que possuem o mesmo objetivo: um justo acordo coletivo para a categoria. Durante as negociações, as empresas da construção civil já fizeram proposta de cesta básica e reajuste de 7,5%, valor superior à inflação, uma vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve variação de 6,53% em 2010", dizia ainda a nota.

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