Grande Fortaleza tem 16 assassinatos em 48 horas

Apenas a capital tem 11 mortes. Para especialista, caso expõe o crescimento do tráfico de armas no Ceará

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O final de semana na região metropolitana de Fortaleza foi marcado por 16 assassinatos em 48 horas, sendo 14 por arma de fogo. Somente a capital contabilizou onze. O número supera a média de mortes violentas por dia da cidade, que é quatro homicídios, de acordo com a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops).

A sequência de mortes começou às 20 horas de sexta-feira (18) com a execução de um adolescente, e seguiu até às 20 horas de domingo (20), quando uma mulher foi morta pelo vizinho.

Na noite de sexta-feira foram quatro assassinatos por arma de fogo, somente em Fortaleza. No dia seguinte a violência foi maior. A Ciops registrou seis mortes à bala. Quatro dos homicídios ocorreram na capital cearense. Os outros dois foram cometidos nos municípios do Eusébio e Maracanaú, região metropolitana. No domingo, mais quatro pessoas foram assassinadas a tiros e duas a golpes de faca, sendo três em Fortaleza.

O pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Damasceno de Sá, chama a atenção para o comércio ilegal de armas no Ceará. Na opinião dele, o tráfico de revolveres e pistolas vem contribuindo para o aumento da chamada "violência difusa", que diz respeito à possibilidade de qualquer um ser vítima de violência. Com mais armas circulando, defende o pesquisador, maiores são as chances de as pessoas resolverem conflitos - que deveriam ser solucionados com discussões ou queixas à polícia - à bala. 

Foi o que aconteceu com Aurilene Carneiro de Lima, de 30 anos, morta dentro de casa, no bairro Messejana, pelo vizinho, porque havia passado o dia ouvindo música com o som alto.

Para Leonardo Sá, não basta que a polícia encontre os autores dos crimes. Ele defende uma investigação que aponte de onde as armas usadas vieram. “A grande missão da polícia é saber como essas armas chegam com tanta facilidade às mãos das pessoas”, questiona.

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