Exército policia Fortaleza, mas população não pode dar queixa

Com greve da Polícia Civil, delegacias não fazem boletins de ocorrência e investigações estão paradas

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

A greve dos policiais civis do Ceará anunciada na terça-feira (03) está deixando a população que procura as delegacias de Fortaleza sem atendimento. Com o fim da greve da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Ceará, as tropas do Exército Brasileiro e da Força Nacional, mobilizadas para reforçar a segurança do Estado, passaram a fazer a segurança patrimonial das delegacias. Contudo, o registro de boletins de ocorrência e as investigações estão parados.

Acaba a paralisação: Acordo leva ao fim greve de PMs e bombeiros no Ceará

Nova paralisação: Após PM aceitar acordo, Polícia Civil anuncia greve no Ceará

Pânico em Fortaleza: Com greve de policiais, lojas da capital do Ceará fecharam

Medo no Ceará: Com fim de uma greve e início de outra, Exército fica no Estado

Segundo o tenente-coronel do Exército Charles Moura, as tropas federais estão atuando nas delegacias apenas para que as prisões possam ser efetuadas. “As delegacias não estão funcionando (para a população). Estão funcionando e atendendo as nossas necessidades”, disse.

Moura não descarta, contudo, que os homens do Exército passem a assumir outras funções de policiais civis, como as de escrivães e inspetores. “Até o presente momento, pelas reuniões que eu acompanhei pessoalmente não tivemos demanda nesse sentido”, ponderou.

Daniel Aderaldo/iG
Delegacia da Polícia Civil é protegida por carro com homens do Exército em Fortaleza
P risões

Um fato curioso chama atenção na atuação das tropas federais. Como a chamada Operação Ceará não dispunha até hoje de viaturas para realizar o patrulhamento, o governo do Ceará cedeu 100 carros de passeio. Cada veículo é ocupado por quatro homens do Exército. Em uma eventual prisão, não haveria espaço ou local adequado para conduzir um criminoso até a delegacia, já que os carros de passeio andam cheios.

Questionado pelo iG sobre essa logística, o tenente-coronel Charles Moura não soube explicar que tipo de procedimento os soldados estavam adotando para realizar as prisões. “Eu estou imaginando como isso foi feito também. Mas foram efetuadas prisões e posteriormente eu te informo na prática como foi feito. Não acompanhei nenhuma prisão”, admitiu.

A falta de homens, equipamentos e meio de transporte adequados e suficientes para atender a demanda de Fortaleza acabou deixando um vácuo na segurança pública na terça-feira (03) quando Fortaleza viveu um dia de pânico e todo o comércio da cidade fechou. Segundo dados do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), 300 ocorrências deixaram de ser atendidas.

    Leia tudo sobre: cearáfortalezagreve da pmexércitoforça nacionalCid Gomes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG