Estudantes e professores invadem Assembleia do Ceará

Rede estadual está em greve há 27 dias. Durante invasão, paredes foram pichadas e policial foi agredido

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Cerca de 1,5 mil alunos e professores da rede estadual de ensino invadiram a Assembleia Legislativa do Ceará na manhã desta quinta-feira, 1°. Com mais pessoas do que o local tem capacidade para suportar, houve tumulto. Um policial foi agredido, paredes foram pichadas, o batalhão de choque foi acionado e a sessão plenária foi suspensa.

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Com faixas, apitos e até uma banda marcial escolar, os manifestantes cobravam dos deputados participação no processo de negociação entre professores e governo do Ceará - a rede estadual de ensino está em greve há 27 dias.

A multidão chegou à Assembleia por volta das 11 horas. Em alguns minutos, corredores, escadas e o hall que dá acesso ao plenário já estavam completamente ocupados. A maioria dos manifestantes era formada por estudantes. Além dos professores, havia também militantes do PSOL, da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)

Daniel Aderaldo/iG
Paredes da Assembleia foram pichadas por estudantes no Ceará
Com gritos de “alunos na rua, Cid a culpa é sua”, os estudantes se concentraram na entrada do plenário. Houve troca de insultos com os policiais militares que fazem a guarda da Assembleia Legislativa. A agressão verbal passou a física quando um policial foi derrubado e teve seu cassetete tirado das mãos. O batalhão de choque precisou ser chamado para conter a multidão. Os corredores onde ficam os gabinetes dos parlamentares tiveram as paredes pichadas de vermelho com os dizeres “educação já”. Um dos professores, integrante do comando de greve, admitiu que era difícil conter tantos adolescentes.

“Nós não concordamos com nenhuma dilapidação, nenhuma forma de agredir o patrimônio público. Somos professores e estudantes e sabemos que tudo que é público tem que ser preservado”, afirmou o presidente do Sindicato dos Professores do Estado do Ceará (Apeoc), Anízimo Melo. O sindicalista lamentou ainda a força policial que foi acionada diante do protesto. “Discordamos, com muita ênfase, da necessidade da tropa de choque para receber o nosso movimento. Achamos que temos que aprender com a lição que compressão e qualquer tipo de agressão não resolve nada, principalmente na educação”.

O presidente em exercício da Assembleia, deputado Tin Gomes (PSB), argumentou que o batalhão de choque foi chamado para evitar que o plenário fosse invadido. “Nenhuma pessoa que respeite a sala de aula entra em uma sala sem o professor permitir”, comparou. O parlamentar informou ainda que a Casa irá tomar providências para identificar os autores das pichações e agressões.

nullNegociações

Uma comissão de professores foi recebida pelos deputados e o líder do governo, Antonio Carlos (PT), se comprometeu em agendar uma nova rodada de negociação com o executivo.

A categoria se reuniu pela última vez com o governador Cid Gomes (PSB) no último dia 25 de agosto. Do encontro saiu uma ata que iria ser protocolada no Ministério Público do Trabalho em forma de um termo de ajustamento de conduta (TAC) – tipo de medida extrajudicial para resolução de conflitos.

Os professores, contudo, foram surpreendidos com a greve sendo decretada ilegal pela Justiça à pedido do governo. Isso irritou a categoria, que resolveu manter a paralisação. Do outro lado, Cid Gomes afirmou que só negocia com o fim da greve.

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