Depoimento de ex-secretário emperra processo sobre caso Bruce

Jovem de 14 anos foi morto por um policial militar no dia em que saiu para trabalhar com o pai. Justiça tenta ouvir ex-secretário de Segurança do Estado

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

Passado um ano desde a morte de Bruce Cristian de Souza Oliveira , aos 14 anos, falta apenas o depoimento do ex-secretário de Segurança do Ceará, Roberto Monteiro, para que o processo chegue à fase final e o ex-policial militar Yuri Silveira, acusado de disparar contra a nuca do garoto, vá a júri popular. A promotoria diz que o trâmite está rápido. A família reclama de lentidão. 

Reprodução/TV Globo
O garoto Bruce Cristian de Souza Oliveira, assassinado há um ano em Fortaleza
Bruce foi morto por um tiro na nuca no dia 25 de julho de 2010 – há exato um ano – quando trafegava na garupa da moto do pai na avenida Desembargador Moreira, uma das principais vias de Fortaleza, no bairro Dionísio Torres, área nobre da capital. Em uma abordagem policial equivocada, o ex-PM acertou a cabeça da vítima, alegando que pai e filho seriam suspeitos. Era domingo e Bruce saiu para trabalhar junto com o pai, técnico em refrigeração, Francisco das Chagas de Oliveira Souza. 

Segundo as investigações, o policial mandou que a moto parasse. Embora não houvesse blitz, é comum que a polícia do Ceará pare motocicletas na rua, para averiguação. Como eles não pararam, o policial atirou. 

Atualmente, o processo está na 5ª Vara do Júri, em sua fase de instrução criminal – quando se produzem provas e se escutam as testemunhas indicadas pela acusação e pela defesa. O que impede essa fase de ser concluída e o caso evoluir para o procedimento penal seguinte é o depoimento do então secretário de Segurança do Ceará, Roberto Monteiro. O ex-secretário foi escolhido pela defesa do acusado para depor. Mas hoje ele vive em Curitiba, no Paraná, e isso se tornou um entrave para que o processo caminhe mais rápido.

O ex-secretário ainda não depôs porque até agora o pedido de intimação não foi distribuído na Comarca de Curitiba Desde janeiro deste ano que a acusação aguarda o depoimento de Roberto Monteiro, ainda sem prazo para acontecer, de acordo com o promotor de Justiça que cuida do caso, Ricardo Machado. Só quando isso ocorrer começará a fase de alegações finais, quando Ministério Público e réus se manifestam pela última vez sobre o conteúdo da ação.

Não é possível uma previsão exata sobre o tempo em que tramitará o processo até atingir o julgamento. Se não houver recurso da defesa, é possível que ocorra, no máximo, no primeiro semestre do próximo ano”

“Não é possível uma previsão exata sobre o tempo em que tramitará o processo até atingir o julgamento. Se não houver recurso da defesa, é possível que ocorra, no máximo, no primeiro semestre do próximo ano”, explica Ricardo Machado.

Processo

Apesar de já se ter passado um ano desde a morte de Bruce, a promotoria afirma que o caso está correndo com celeridade. “Na vara, há outros processos em que parentes de vítimas também cobram, e com razão, celeridade. Esses processos padecem de mais contratempos, como testemunhas faltosas ou que não são encontradas, bem como em caso de autorias ainda não identificadas”, pondera o promotor.

Enquanto para os parâmetros da justiça brasileira um ano é pouco para o andamento de um processo, para a família que perdeu um filho “parece uma eternidade”, diz o pai de Bruce. “Isso faz com que a gente fique se roendo por dentro. Além de ter perdido ele, a gente tem que conviver com uma batalha diária para que as coisas aconteçam nesse processo. Um ano é muito tempo para a família que perdeu um filho”, diz o pai Francisco das Chagas.

Segundo o promotor Ricardo Machado, o ex- PM Yuri Silveira deverá ir a júri popular. “Vejo provas suficientes no processo de autoria e materialidade do delito. Os fatos são muito claros. Foi um homicídio doloso e qualificado”, explica. A pena pode ir de 12 a 30 anos de cadeia.

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