Cid Gomes transforma 40 quarteirões em volta de palácio em área de segurança

Região em torno da sede do governo é uma das mais movimentadas de Fortaleza. Com lei, poderá ser fechada sempre que Cid decidir

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O governo do Ceará conseguiu aprovar nesta semana um projeto na Assembleia Legislativa tornando área de segurança permanente 40 quarteirões no entorno do local onde o governador Cid Gomes (PSB) trabalha e mora com a família. Com isso, a Casa Militar poderá fechar essa área sempre que julgar necessário e sem aviso prévio aos moradores. Vizinhos, a Residência Oficial e o Palácio da Abolição estão localizados no bairro Meireles, em uma região residencial e com intenso fluxo de veículos.

Reprodução
A área em torno do Palácio da Abolição, segundo a lei aprovada nesta semana pelo governo do Ceará
O quadrilátero delimitado pelo governo abrange as avenidas Abolição e Rui Barbosa e as ruas Costa Barros e Nunes Valente. As três primeiras são vias movimentadas da capital cearense por ligarem o centro aos bairros Meireles e Aldeota, na área nobre da cidade.

A nova lei autoriza a Casa Militar a desviar o trânsito da área e restringir o acesso às vias do entorno quando entender que a segurança do governador pode estar em perigo. Contudo, o governo não especifica nenhuma situação em que esse isolamento possa acontecer. O modo como isso será feito e como serão tratadas as pessoas que residem e trabalham na vizinhança é outra lacuna deixada pelo projeto encaminhado ao Legislativo e aprovado pelos deputados.

O governo

Reprodução/Google Maps
A letra "A" marca o Palácio da Abolição, em Fortaleza
Segundo a assessoria do governo, a área de segurança permanente já existia na prática. A lei apenas consolidaria o procedimento adotado pela segurança do governador, como no caso de uma manifestação que ofereça algum tipo de risco.  

Recentemente a Casa Militar adotou essa medida para conter os professores da rede estadual de ensino, que estão em greve. No último dia 19, quando a categoria realizou um ato em frente ao Palácio da Abolição, o entorno do prédio foi isolado pela Polícia Militar e pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC). O trânsito foi desviado e até os transeuntes foram impedidos de passar pelo local. Não houve confronto, mas o Batalhão de Choque foi chamado.

O governador Cid Gomes transferiu a sede para o Palácio da Abolição recentemente.  Durante todo primeiro mandato, ele despachou no Palácio Iracema, para onde a sede foi transferida em 2003 pelo seu antecessor o ex-governador Lúcio Alcântara (PR).

A antiga sede do Executivo cearense era resguardada por um decreto de lei de conteúdo semelhante ao da mensagem em questão. Contudo, a área de segurança era bem menor. Além disso, o Palácio tem como “quintal” o Parque do Cocó. No início deste ano, quando Cid se mudou para a nova sede, chegou a declarar que a anterior “era um local pesado, carregado”.

Divulgação
Fachada do Palácio da Abolição
Críticas

Lúcio Alcântara, adversário político dos irmãos Ferreira Gomes, afirmou à reportagem do iG que Cid Gomes demonstra ter uma “obsessão por segurança”. “Mesmo quando ele era prefeito do município de Sobral já era assim. Muitos seguranças. Uma guarda ostensiva e desproporcional”, avaliou. “Durante meus quatro anos de governo vivi na minha residência particular com minha família e nunca sofri um constrangimento. E olha que havia oposição”, comparou.

O ex-chefe da Casa Militar, coronel Zenóbio Alcoforado, reconhece a necessidade de se criar uma área de segurança como precaução, mas acredita que houve “exagero” em relação ao tamanho do quadrilátero que foi estabelecido. “Isso é normal com qualquer chefe de Estado, mas como aquela é uma região residencial, uma área tão grande pode causar algum tipo de transtorno para a população. Tem que ter bom senso”, critica. 

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